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Penhora prévia é obrigatória para adjudicação de bens: O que muda na prática à luz da Quarta Turma do STJ

Carlos Moura Carlos Moura 02/09/2025 9 minutos
Penhora prévia passa a ser exigência para adjudicação de bens, conforme decisão da Quarta Turma do STJ. Veja o que muda na prática.
Penhora prévia é obrigatória para adjudicação de bens: O que muda na prática à luz da Quarta Turma do STJ

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça firmou, por unanimidade, que a penhora é ato processual prévio e indispensável para a adjudicação de bens, declarando nula a adjudicação direta realizada sem a fase antecedente de constrição e avaliação. 

O entendimento consolida a ordem procedimental da execução (penhora → avaliação → expropriação) e reforça o devido processo legal como limite à expropriação direta, com efeitos imediatos para execuções, cumprimentos de sentença e partilhas com adjudicação judicial de bens indivisos ou em copropriedade.

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O que foi decidido pela Quarta Turma do STJ e por quê?

O STJ anulou a adjudicação de imóvel deferida sem penhora prévia, mesmo em contexto de copropriedade e com alegação de preferência do exequente.

A decisão afirmou que a penhora não é formalidade dispensável, mas requisito estruturante que garante publicidade, avaliação, contraditório e proteção a terceiros.

Dessa forma, a Quarta Turma do STJ interpretou o CPC sistematicamente: 

  • A adjudicação é uma forma de expropriação (art. 825, I);
  • Porém, só pode incidir sobre “bens penhorados”, como dispõe o art. 876: “É lícito ao exequente (…) requerer que lhe sejam adjudicados os bens penhorados.”
  • Nesse cenário, deve-se respeitar a sequência prevista no art. 523, §3º: “Não efetuado tempestivamente o pagamento voluntário, será expedido, desde logo, mandado de penhora e avaliação, seguindo-se os atos de expropriação.”

Assim, a ausência de penhora viola o devido processo legal (CF, art. 5º, LIV) e configura nulidade absoluta, prescindindo da prova de prejuízo, por afetar o núcleo do procedimento executivo e a segurança jurídica.

Caso paradigmático e relevância prática

Em execução por dívida reconhecida judicialmente, no caso em questão, o exequente requereu adjudicação direta da quota-parte da executada sobre imóvel em copropriedade.

O 1º grau do TJSP dispensou a penhora sob argumento de preferência na alienação forçada e ausência de demonstração de prejuízo. Todavia, tal entendimento foi reformado no STJ tendo sido fixado a imprescindibilidade da penhora.

A tese afasta atalhos expropriatórios e protege a invocação de impenhorabilidades (ex.: bem de família), que poderiam ser tangenciadas por adjudicação sem a etapa de constrição e avaliação.

Processo: REsp 2.200.180

Confira o acórdão aqui.

Quais foram os fundamentos normativos destacados?

  • CPC: art. 523, §3º (ordem cronológica: penhora/avaliação antes dos atos expropriatórios); art. 825, I (adjudicação como expropriação); art. 876 (adjudicação de “bens penhorados”).
  • Constituição: art. 5º, LIV (devido processo legal), como cláusula de garantia procedimental e material em execuções e expropriações.

Efeitos no contencioso: recomendações na prática jurídica

  • Execuções e cumprimentos de sentença: sempre requerer penhora (com avaliação) antes de pleitear adjudicação; pedidos diretos de adjudicação tendem a ser indeferidos ou anulados.
  • Bens em copropriedade: o direito de preferência não dispensa a penhora; o rito deve ser observado para assegurar a publicidade e a avaliação, inclusive para resguardar o coproprietário alheio à execução.
  • Defesa do executado: nulidade absoluta por falta de penhora é oponível independentemente de demonstração de prejuízo; invocar devido processo, necessidade de avaliação e proteção a terceiros.
  • Imóveis com potencial impenhorabilidade (bem de família): a exigência de penhora prévia garante janela procedimental para arguição de proteção da Lei 8.009/1990.

Checklists práticos para advogados

Para exequentes:

  • Identificar bens e requerer penhora com avaliação;
  • Publicidade do ato (registro/averbação quando cabível);
  • Após avaliação, formular pedido de adjudicação com preço não inferior ao avaliado (CPC, art. 876).

Para executados:

  • Verificar ausência/irregularidade de penhora/avaliação como causa de nulidade;
  • Alegar impenhorabilidades, excesso de execução, substituição de penhora (CPC, art. 847), ou ordem legal de preferência de bens;
  • Defender terceiros atingidos sem contraditório (embargos de terceiro).

Para bens indivisos:

  • Mapear coproprietários e anotar que a adjudicação não contorna a constrição;
  • Cautela com direitos de meação e frações ideais.
Uma advogada conversando com seu cliente sobre a nova decisão do STJ, que agora a penhora prévia é obrigatória para adjudicação de bens.

Quais as consequências estratégicas do novo entendimento sobre a penhora?

  • Redesenho de minutas e fluxos executivos: atualizar modelos para sempre contemplar requerimento de penhora e avaliação prévias aos pedidos de adjudicação.
  • Gestão de risco registral: nos imóveis, a penhora e a publicidade registral são essenciais para oponibilidade a terceiros e higidez da expropriação.
  • Contencioso defensivo: ampliar o uso de nulidade por ausência de penhora; organizar provas de copropriedade, meação, impenhorabilidades e direitos de terceiros.
  • Conformidade com precedentes: o acórdão (REsp 2.200.180/SP) orienta instâncias inferiores; decisões em sentido diverso são vulneráveis por ofensa a CPC e devido processo.

A penhora como pilar do devido processo na adjudicação

O entendimento firmado pela Quarta Turma do STJ reafirma que a penhora não é um simples rito burocrático, mas uma garantia essencial para a validade da adjudicação. 

Ao consolidar a ordem procedimental da execução, o precedente fortalece a segurança jurídica, preserva direitos de coproprietários e terceiros, e limita atalhos que poderiam fragilizar o contraditório e a avaliação justa dos bens. 

Para a advocacia, a decisão impõe revisão de práticas, reforçando a necessidade de alinhar fluxos executivos, estratégias defensivas e checklists processuais a esse marco jurisprudencial.

Confira também nosso Web Stories: 6 erros para evitar na Ação de Obrigação de Fazer!

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É possível adjudicar sem penhora se o executado concordar?

Não. A Quarta Turma do STJ estabeleceu que a penhora é pressuposto estruturante da expropriação, não sendo mera formalidade dispensável. 
Mesmo com a concordância do executado, a ausência de penhora compromete elementos essenciais como:

Publicidade do ato: necessária para proteção de terceiros;
– Avaliação adequada: garantia de preço justo;
– Contraditório pleno: direito de defesa processual.

A nulidade é absoluta, prescindindo de demonstração de prejuízo, pois ofende o devido processo legal (CF, art. 5º, LIV) e a sistemática do CPC (arts. 523, §3º, 825, I e 876).

A preferência do exequente em copropriedade supre a penhora?

Não. O direito de preferência na alienação forçada não elimina a sequência procedimental obrigatória de penhora e avaliação. O STJ foi categórico ao afirmar que a preferência não justifica o “atalho expropriatório”.

A penhora em casos de copropriedade é ainda mais relevante porque:

– Protege direitos do coproprietário não executado;
– Garante avaliação da quota-parte ou do bem integral;
– Assegura publicidade registral necessária;
– Permite manifestação de terceiros interessados.

O vício exige prova de prejuízo?

Não. A Quarta Turma reconheceu nulidade absoluta, que prescinde da prova de prejuízo. Isso ocorre porque:

– A penhora integra o núcleo essencial do procedimento executivo;
– Sua ausência afeta a estrutura fundamental do devido processo;
– Compromete a segurança jurídica de todo o sistema executivo;
– Viola garantias constitucionais e legais inafastáveis.
Esta caracterização facilita a arguição da nulidade por executados e terceiros interessados.

Qual o procedimento correto após esta decisão do STJ?

O procedimento deve seguir rigorosamente a ordem estabelecida no art. 523, §3º do CPC:

Para o exequente:
– Identificação e penhora dos bens do executado;
– Avaliação judicial dos bens penhorados;
– Publicidade adequada (registro, averbação, editais);
– Requerimento de adjudicação sobre os “bens penhorados” (art. 876, CPC);
– Preço não inferior ao valor da avaliação.

Para o executado:
– Verificar se houve penhora e avaliação prévias;
– Alegar nulidade por ausência desses atos;
– Invocar impenhorabilidades (ex.: bem de família);
– Requerer substituição de penhora quando cabível.

Como fica a adjudicação de imóvel com potencial impenhorabilidade?

A exigência de penhora prévia reforça a proteção ao bem de família e outras impenhorabilidades. Durante a fase de constrição, o executado tem oportunidade processual adequada para:

– Arguir impenhorabilidade com base na Lei 8.009/1990;
– Demonstrar o caráter residencial do imóvel;
– Comprovar ser o único imóvel da família;
– Apresentar defesa técnica antes da expropriação.

A adjudicação direta poderia “tangenciar” essas proteções, razão pela qual o STJ vedou tal prática.

Qual o impacto desta decisão em partilhas com bens indivisos?

Em inventários e separações onde há adjudicação judicial de bens indivisos ou em copropriedade, a decisão também se aplica, exigindo:

Procedimento específico:
– Avaliação judicial prévia dos bens indivisos;
– Citação de todos os coproprietários para contraditório;
– Penhora ou constrição da quota-parte ou bem integral;
– Adjudicação posterior observando direitos sucessórios.

Proteções especiais:
– Direitos de meação do cônjuge sobrevivente;
– Legítima dos herdeiros necessários;
– Direitos de terceiros adquirentes de boa-fé;
– Preferência legal entre coproprietários.

Esta decisão afeta execuções em andamento?

Sim, com efeitos imediatos. A nulidade absoluta pode ser arguida a qualquer tempo, mesmo em execuções já em curso.

Para execuções em andamento:
Adjudicações já deferidas sem penhora: passíveis de anulação;
– Pedidos pendentes: devem ser indeferidos se não houver penhora prévia;
Recursos: a tese pode fundamentar apelações e embargos;
– Ações anulatórias: cabíveis independentemente do trânsito em julgado.

Gestão de risco:
– Revisar carteira de execuções em andamento;
– Verificar regularidade procedimental;
– Antecipar possíveis nulidades;
– Ajustar estratégia processual ao novo precedente.

Carlos Moura Carlos Moura 02/09/2025

FAQ

O que é a Jurídico AI e quem está por trás?

A Jurídico AI é uma plataforma de inteligência artificial para o contencioso trabalhista de médias e grandes empresas. A plataforma lê os processos da empresa, extrai dados estruturados e entrega dossiês de defesa, preparação de audiências e relatórios de passivo em tempo real, para que o departamento jurídico tenha visibilidade e controle sem depender de consolidação manual. Fundada em 2023 por Cesar Orlando (CEO), Marco Barcelos (CTO) e Pedro Tibau, advogado, a empresa reúne experiência em tecnologia e no mercado jurídico brasileiro. A plataforma está em operação desde janeiro de 2024, com investidores estratégicos e infraestrutura certificada Google Cloud Platform.

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