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Como funciona o impeachment de ministro do STF?

Jamile Cruz Jamile Cruz 11/09/2026 8 minutos
O impeachment de ministro do STF é um processo por crime de responsabilidade que tramita no Senado Federal, conforme a Constituição e a Lei nº 1.079/1950.
Como funciona o impeachment de ministro do STF?

O impeachment de ministro do STF é um processo destinado a apurar a prática de crime de responsabilidade por integrante do Supremo Tribunal Federal. 

Diferentemente do impeachment do Presidente da República, o procedimento contra ministro do STF começa diretamente no Senado Federal, responsável por processar e julgar a acusação.

A matéria é disciplinada principalmente pela Constituição Federal e pela Lei nº 1.079/1950, que estabelece as condutas consideradas crimes de responsabilidade e define regras para a denúncia, formação da acusação e julgamento.

Embora pedidos de impeachment contra ministros do STF apareçam com frequência no debate público, é importante separar a existência de uma denúncia da efetiva instauração de um processo. Historicamente, nenhum ministro do STF foi condenado em processo de impeachment pelo Senado.

Quem pode pedir o impeachment de ministro do STF?

A Lei nº 1.079/1950 prevê a possibilidade de apresentação de denúncia contra ministro do STF por crime de responsabilidade. 

A aplicação dessa regra, contudo, deve ser analisada à luz das decisões do Supremo Tribunal Federal sobre o procedimento de impeachment de ministros da Corte.

Sobre o assunto, é importante mencionar que em dezembro de 2025, houve uma decisão do ministro Gilmar Mendes nas ADPFs 1259 e 1260, o qual suspendeu alguns dispositivos da Lei 1.079/1950, entre eles, alguns referentes à legitimidade para apresentação de denúncias e ao rito de impeachment de ministros do STF. 

Posteriormente, parte dessa decisão foi suspensa, inclusive especificamente quanto à restrição da legitimidade ao Procurador-Geral da República 

Veja diretamente no STF: ADPFs 1259 e 1260.

Quais são os crimes de responsabilidade de ministro do STF?

O artigo 39 da Lei nº 1.079/1950 estabelece cinco hipóteses de crimes de responsabilidade específicos dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Art. 39, Lei nº 1.079/1950 – são crimes de responsabilidade dos Ministros do Supremo Tribunal Federal:

  1. alterar, fora da via recursal, decisão ou voto já proferido em sessão do Tribunal;
  2. proferir julgamento quando, por lei, seja suspeito na causa;
  3. exercer atividade político-partidária;
  4. ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo;
  5. proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções.

As cinco hipóteses merecem atenção porque algumas possuem conteúdo relativamente objetivo, enquanto outras dependem de uma avaliação jurídica mais ampla sobre a conduta do ministro. 

Como funciona o impeachment do ministro do STF?

O procedimento possui características próprias e não deve ser confundido com o rito do impeachment presidencial.

Para ministros do STF, a Constituição atribui diretamente ao Senado Federal a competência para processar e julgar.

Art. 52, II, Constituição Federal – compete privativamente ao Senado Federal […]  processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade;  

A Lei nº 1.079/1950 dedica sua Parte Terceira, especialmente os artigos 39 a 73, ao tratamento dos crimes de responsabilidade e do procedimento aplicável aos ministros do STF.

1. Apresentação da denúncia

O primeiro passo é a apresentação da denúncia ao Senado Federal.

A denúncia deve indicar os fatos atribuídos ao ministro e apresentar os elementos necessários à sua comprovação, observando os requisitos previstos na Lei nº 1.079/1950.

Na prática, é importante diferenciar o protocolo de uma denúncia da efetiva abertura de um processo de impeachment, o simples protocolo não significa que o ministro esteja sendo processado.

2. Análise inicial da denúncia

Após o protocolo, o pedido passa por uma análise dentro do Senado.

3. Formação da comissão

Superada a análise inicial, forma-se uma comissão especial para examinar a acusação.

A comissão analisa os fatos apresentados, pode realizar diligências e produz um parecer sobre o prosseguimento da denúncia.

O material de referência descreve uma comissão especial composta por senadores e prevê a posterior apreciação do parecer pelo Plenário.

4. Votação pelo Senado

O parecer da comissão é submetido à apreciação do Plenário do Senado.

Caso o Senado não reconheça condições para o prosseguimento, a denúncia é arquivada.

5. Apresentação da defesa

Se o procedimento avançar, o ministro denunciado tem direito à defesa.

A Lei nº 1.079/1950 prevê prazo para manifestação do acusado e estabelece etapas posteriores destinadas à análise da procedência da acusação.

Aqui, a discussão deixa de ser apenas sobre a admissibilidade inicial e passa para a análise dos fatos e das provas apresentados.

6. Instrução e julgamento

Na fase de julgamento, podem ser produzidas provas, colhidos depoimentos e realizadas outras diligências necessárias à análise da acusação.

O procedimento é conduzido no Senado, considerando as regras previstas na Lei nº 1.079/1950 e, de forma subsidiária, outras normas aplicáveis ao rito.

O material de referência destaca que o julgamento dos ministros do STF possui disciplina própria na Parte Terceira da Lei do Impeachment.

7. Votação final

Ao final, o Senado delibera sobre a condenação, a Lei nº 1.079/1950 prevê quórum qualificado para a condenação, correspondente a dois terços dos senadores, conforme o rito tradicional descrito na legislação.

Esse ponto, contudo, deve ser analisado em conjunto com decisões judiciais posteriores que alteraram ou questionaram aspectos do procedimento.

Importante: O procedimento descrito acima considera as disposições da Lei nº 1.079/1950, o Regimento Interno do Senado Federal e os entendimentos jurisprudenciais aplicáveis. Como aspectos do rito foram objeto de decisões posteriores do STF, a tramitação concreta deve ser analisada conforme o entendimento vigente. 

O ministro é afastado durante o processo?

O afastamento cautelar do ministro é um dos pontos que exige maior cuidado na abordagem atual do tema.

O rito tradicional da Lei nº 1.079/1950 previa o afastamento durante determinada etapa do processo. Entretanto, decisões judiciais posteriores passaram a questionar e suspender determinados dispositivos relacionados ao afastamento.

Assim, não é recomendável afirmar simplesmente que o ministro será automaticamente afastado após determinada votação sem verificar o entendimento judicial vigente no momento da análise.

Continue acompanhando os temas do Direito brasileiro 

O impeachment de ministro do STF possui previsão constitucional e legal, com competência atribuída ao Senado Federal para processar e julgar denúncias por crimes de responsabilidade. Embora qualquer cidadão possa apresentar uma denúncia, seu protocolo não significa, por si só, a instauração de um processo ou a condenação do ministro.

O procedimento envolve requisitos específicos, análise da denúncia, atuação de comissão, defesa, instrução e julgamento, sempre considerando a Constituição Federal, a Lei nº 1.079/1950 e os entendimentos judiciais aplicáveis.

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Qualquer cidadão pode pedir o impeachment de um ministro do STF?

A Lei nº 1.079/1950, em seu art. 41, prevê a possibilidade de qualquer cidadão apresentar denúncia contra ministro do Supremo Tribunal Federal pela prática de crime de responsabilidade, desde que sejam observados os requisitos legais. Contudo, a aplicação dessa regra deve considerar os entendimentos posteriores do STF sobre o procedimento de impeachment de ministros da Corte, como por exemplo as ADPFs 1259 e 1260.

Quem julga o impeachment do ministro do STF?

O Senado Federal é responsável por processar e julgar ministros do STF nos crimes de responsabilidade. Essa competência está prevista no Art. 52, II, da Constituição Federal.

Quais condutas podem levar ao impeachment de um ministro do STF?

O Art. 39 da Lei nº 1.079/1950 prevê cinco hipóteses de crimes de responsabilidade, incluindo o exercício de atividade político-partidária, a alteração de decisão ou voto fora da via recursal e condutas incompatíveis com a honra, dignidade e decoro das funções.

O simples protocolo de um pedido de impeachment afasta o ministro do STF?

Não. A apresentação de uma denúncia não significa automaticamente a instauração do processo nem o afastamento do ministro. O procedimento possui etapas próprias, e questões relacionadas ao afastamento devem ser analisadas conforme a legislação e o entendimento judicial vigente.

Jamile Cruz Jamile Cruz 11/09/2026

Graduanda em Direito e Marketing, pós-graduada em Direito Civil e Direito Digital. Possui experiência na redação de peças processuais, produção de conteúdo jurídico e SEO. É pesquisadora na área de Inteligência Artificial e Direito, com interesse nos impactos e desafios da tecnologia no sistema de Justiça. Inscrita na OAB/BA como estagiária, sob o nº 33984E

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