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Como captar clientes na advocacia dentro das regras da OAB?

Carlos Silva Carlos Silva 05/09/2026 9 minutos
Captar clientes na advocacia exige presença digital, produção de conteúdo e construção de autoridade, mas todas as estratégias devem respeitar os limites éticos da OAB. Entenda o que é permitido e quais práticas podem configurar captação indevida de clientela.
Como captar clientes na advocacia dentro das regras da OAB?

Saber como captar clientes na advocacia é uma necessidade comum entre profissionais autônomos e escritórios que desejam crescer. Entretanto, a divulgação dos serviços jurídicos não segue exatamente as mesmas regras aplicáveis a outras atividades profissionais.

A advocacia pode utilizar marketing, redes sociais, anúncios, sites e outras ferramentas digitais. O cuidado está na forma como essas estratégias são empregadas: a comunicação deve ser informativa, discreta e sóbria, sem induzir diretamente à contratação ou transformar o serviço jurídico em uma mercadoria.

Na prática, o advogado pode divulgar conhecimento, apresentar suas áreas de atuação e facilitar o contato com o público. O que não pode é prometer resultados, oferecer descontos para atrair clientes ou abordar pessoas indiscriminadamente com propostas de contratação.

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A captação de clientes na advocacia é permitida?

A expressão “captação de clientes” precisa ser utilizada com cuidado.

O advogado pode desenvolver estratégias para aumentar sua visibilidade, construir autoridade e ser encontrado por pessoas interessadas em determinada área jurídica. O que a OAB proíbe é a captação indevida de clientela.

O Provimento nº 205/2021 do Conselho Federal da OAB define captação de clientela como a utilização de mecanismos de marketing destinados a angariar clientes por meio da indução à contratação de serviços ou do estímulo ao litígio.

Além disso, o art. 34, IV, do Estatuto da Advocacia considera infração disciplinar angariar ou captar causas, com ou sem a intervenção de terceiros.

Portanto, o problema não está em o advogado ser encontrado ou divulgar sua atuação. O limite é ultrapassado quando a publicidade passa a pressionar, persuadir ou abordar diretamente pessoas para que contratem o serviço ou iniciem uma demanda judicial.

Como captar clientes na advocacia de forma ética?

A melhor estratégia é fazer com que o potencial cliente encontre o advogado a partir de uma necessidade real e reconheça nele conhecimento, organização e capacidade para conduzir o caso.

Algumas práticas podem contribuir para isso.

1. Produza conteúdo jurídico informativo

A produção de artigos, vídeos, publicações e materiais educativos permite que o advogado demonstre conhecimento sem precisar oferecer diretamente seus serviços.

O conteúdo pode responder dúvidas como:

  • quais documentos são necessários para determinada ação;
  • como funciona um procedimento judicial;
  • quais são os prazos aplicáveis;
  • o que mudou na legislação;
  • quais cuidados devem ser tomados em determinada situação.

O conteúdo deve orientar de maneira geral, sem prometer resultados nem transformar uma publicação em uma consulta individualizada.

Também é importante evitar chamadas como “garanta seu direito”, “entre com sua ação agora” ou “receba sua indenização”. Dependendo do contexto, essas expressões podem estimular o litígio ou induzir diretamente à contratação.

Para organizar melhor essa estratégia, confira também estas dicas de marketing para advogados.

2. Invista em um site profissional e em SEO

Um site permite apresentar as áreas de atuação, os integrantes do escritório, os canais de contato e conteúdos jurídicos relevantes.

Já o SEO ajuda essas páginas a aparecerem quando alguém pesquisa uma dúvida no Google. Um advogado que atua em Direito de Família, por exemplo, pode publicar conteúdos sobre inventário, divórcio, guarda, alimentos e partilha de bens.

Nesse caso, o potencial cliente chega ao escritório porque pesquisou voluntariamente sobre o assunto. O site não precisa prometer resultados ou insistir na contratação: o próprio conteúdo demonstra a experiência profissional.

3. Utilize as redes sociais para construir autoridade

A presença de advogados nas redes sociais é permitida. Também é possível produzir vídeos, artigos, carrosséis, transmissões ao vivo e outros conteúdos informativos.

O advogado pode comentar alterações legislativas, explicar decisões judiciais relevantes e responder dúvidas gerais. Entretanto, deve preservar o sigilo profissional e evitar a exposição de clientes, processos ou resultados obtidos em casos concretos.

Publicações como “ganhamos mais uma ação” ou “conseguimos uma indenização de R$ 50 mil para nosso cliente” devem ser evitadas. O Provimento nº 205/2021 veda a utilização de resultados concretos como meio de promoção da atuação profissional.

O conteúdo precisa demonstrar conhecimento, mas não pode transmitir a ideia de que resultados anteriores garantem o êxito em novos casos.

Confira nosso artigo também: Advogado pode fazer publicidade na internet?

4. Fortaleça sua rede de relacionamentos

Networking continua sendo uma das formas mais relevantes de desenvolver a advocacia.

Participar de eventos, comissões, associações profissionais, congressos e grupos de estudo ajuda o advogado a ampliar seus contatos e a ser lembrado quando surgir uma demanda relacionada à sua área de atuação.

Também é possível construir relacionamentos com profissionais de áreas complementares, desde que não exista pagamento por indicação, divisão irregular de honorários ou atuação de intermediários na captação de causas.

A recomendação deve decorrer da confiança na atuação profissional, e não de uma recompensa financeira oferecida em troca do encaminhamento de clientes.

5. Aprimore o atendimento e a experiência do cliente

A captação não depende apenas de publicidade. Um atendimento organizado pode aumentar as indicações e fortalecer a reputação do escritório.

Isso inclui:

  • responder com clareza;
  • manter o cliente informado;
  • organizar documentos e prazos;
  • explicar riscos e possibilidades;
  • apresentar honorários com transparência;
  • evitar expectativas irreais;
  • manter registros dos atendimentos.

O que a OAB proíbe na captação de clientes?

Entre as práticas que podem caracterizar publicidade irregular ou captação indevida estão:

  • prometer êxito ou resultado;
  • divulgar valores, descontos ou gratuidade para atrair clientes;
  • utilizar frases de autoengrandecimento;
  • comparar-se com outros advogados;
  • divulgar clientes ou resultados obtidos;
  • distribuir material publicitário de maneira indiscriminada;
  • comprar indicações de clientes;
  • pagar comissões pela captação de causas;
  • abordar diretamente pessoas em situação de vulnerabilidade;
  • estimular o ajuizamento de ações;
  • enviar mensagens em massa sem autorização;
  • utilizar expressões como “o melhor advogado”, “causa ganha” ou “resultado garantido”.

O art. 39 do Código de Ética e Disciplina da OAB determina que a publicidade profissional tenha caráter meramente informativo e seja pautada pela discrição e sobriedade, sem configurar captação de clientela ou mercantilização da profissão.

Como diferenciar marketing jurídico de captação indevida?

A principal diferença está no objetivo e na forma da comunicação.

O marketing jurídico ético informa, educa e permite que o público conheça o profissional. A captação indevida tenta convencer diretamente uma pessoa a contratar o advogado ou a iniciar uma demanda.

Marketing jurídico permitidoCaptação indevida
Explicar como funciona um procedimentoIncentivar a pessoa a entrar com uma ação
Publicar conteúdo educativoPrometer resultado ou indenização
Informar áreas de atuaçãoOferecer descontos ou consulta gratuita para atrair clientes
Disponibilizar canais de contatoEnviar propostas sem solicitação
Impulsionar conteúdo informativoImpulsionar oferta direta de serviços
Utilizar palavras-chave no Google AdsUtilizar anúncio persuasivo ou sensacionalista

Antes de publicar, o advogado pode fazer uma pergunta simples: esta comunicação ajuda o público a compreender um assunto ou tenta convencê-lo diretamente a contratar?

Se a publicação estiver baseada em urgência artificial, promessa, comparação, preço ou exploração de vulnerabilidade, o risco ético é maior.

Como a Jurídico AI pode apoiar o crescimento do escritório?

Captar novos clientes é importante, mas o crescimento sustentável do escritório também depende da capacidade de atender às demandas com agilidade, organização e qualidade técnica.

Nesse ponto, a Jurídico AI atua como um braço direito do advogado. A plataforma auxilia na análise de documentos, pesquisa de jurisprudência, organização das informações do caso e elaboração de peças específicas para cada demanda.

A tecnologia não realiza a captação de clientes nem substitui a atuação profissional. Seu papel é ajudar o advogado a transformar as oportunidades conquistadas por meio do marketing, das indicações e do relacionamento em um atendimento mais eficiente e em entregas juridicamente consistentes.

A revisão, a definição da estratégia e a responsabilidade pelo trabalho continuam sendo do advogado. Para conhecer melhor os recursos disponíveis, veja também 10 motivos para assinar a Jurídico AI

Conclusão

É possível captar clientes na advocacia por meio de conteúdo, SEO, redes sociais, anúncios, networking e atendimento de qualidade. Essas estratégias, entretanto, devem ser utilizadas para construir autoridade e facilitar o encontro entre o advogado e quem já possui uma necessidade jurídica.

A publicidade deve permanecer informativa, sóbria e discreta. Promessas de resultado, oferta de descontos, abordagem indiscriminada e estímulo ao litígio podem configurar captação indevida e resultar em responsabilização disciplinar.

Antes de iniciar uma campanha, é recomendável analisar o Provimento nº 205/2021, o Código de Ética e as orientações do Tribunal de Ética e Disciplina da respectiva seccional.

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A OAB permite que advogados façam publicidade?

Sim. A publicidade é permitida quando possui caráter informativo, discreto e sóbrio, sem promessa de resultado, mercantilização ou captação indevida de clientela.

Advogado pode divulgar seus serviços no Instagram?

O advogado pode manter perfil profissional, informar suas áreas de atuação e publicar conteúdo jurídico. Deve evitar ofertas diretas, exposição de clientes e divulgação de resultados obtidos.

Advogado pode pagar por anúncios?

Sim. O Provimento nº 205/2021 admite anúncios pagos e aquisição de palavras-chave, desde que o conteúdo respeite as regras éticas e não induza diretamente à contratação.

É permitido oferecer consulta gratuita?

A referência à gratuidade como forma de captar clientes é vedada. Além disso, o advogado não deve utilizar consultas gratuitas como apelo publicitário ou estratégia promocional.

Advogado pode mandar mensagem oferecendo seus serviços?

O envio indiscriminado de mensagens para pessoas que não solicitaram ou autorizaram o contato deve ser evitado, pois pode configurar oferta de serviços e captação indevida.

Carlos Silva Carlos Silva 05/09/2026

Formado em Direito e pesquisador nas áreas de Direito Civil e Tecnologia. Possui experiência prática na redação de peças jurídicas e no desenvolvimento de estratégias processuais. Atua com marketing, produção de conteúdo jurídico e SEO. Produz conteúdos que aproximam o Direito da tecnologia, com informações claras, relevantes e aplicáveis à rotina dos advogados.

FAQ

O que é a Jurídico AI e quem está por trás?

A Jurídico AI é uma plataforma de inteligência artificial para o contencioso trabalhista de médias e grandes empresas. A plataforma lê os processos da empresa, extrai dados estruturados e entrega dossiês de defesa, preparação de audiências e relatórios de passivo em tempo real, para que o departamento jurídico tenha visibilidade e controle sem depender de consolidação manual. Fundada em 2023 por Cesar Orlando (CEO), Marco Barcelos (CTO) e Pedro Tibau, advogado, a empresa reúne experiência em tecnologia e no mercado jurídico brasileiro. A plataforma está em operação desde janeiro de 2024, com investidores estratégicos e infraestrutura certificada Google Cloud Platform.

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