Jurídico AI lança plataforma para gestão e inteligência do contencioso trabalhista para departamentos jurídicos.

Saiba mais
Direito Penal

Quando o “olheiro” responde por tráfico de drogas? Entenda a decisão do STJ 

Carlos Moura Carlos Moura 04/08/2026 6 minutos
Entenda a diferença entre o art. 33 e o art. 37 da Lei de Drogas após novo precedente da Quinta Turma do STJ sobre o “olheiro”.
Quando o “olheiro” responde por tráfico de drogas? Entenda a decisão do STJ 

Na defesa de acusados de envolvimento com o tráfico, uma das teses mais comuns é tentar desclassificar a conduta de um participante secundário, como o “olheiro” ou “vigia”, para o crime de colaboração como informante (art. 37 da Lei de Drogas), que possui uma pena muito mais branda.

Contudo, uma decisão recente e unânime da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) serve como um forte alerta: essa estratégia tem limites claros. 

No julgamento do AgRg no AREsp 3.136.623/GO, o tribunal consolidou o entendimento de queo “olheiro” que atua de forma integrada à venda de drogas responde como coautor do crime de tráfico (art. 33 da Lei de Drogas), e não como mero colaborador.

Para o advogado criminalista, compreender a fundo essa distinção é fundamental para construir uma defesa realista e eficaz para seu cliente.

JuridicoAI - Escreva peças processuais em minutos

Qual foi a situação fática que levou o STJ a essa conclusão?

O caso analisado teve origem em Goiás, onde policiais receberam um vídeo que mostrava a venda de drogas em via pública. 

Nas imagens, um homem realizava a venda direta enquanto outro permanecia ao seu lado, observando a movimentação e garantindo a segurança da operação.

Com base nas filmagens e nos depoimentos, as instâncias inferiores condenaram ambos por tráfico de drogas, reconhecendo a divisão de tarefas. 

A Defensoria Pública recorreu ao STJ, sustentando que a função de “olheiro” seria secundária e deveria ser enquadrada no art. 37 (colaboração) da Lei de Drogas . O STJ negou o pedido e manteve a condenação por tráfico.

FICHA DE JURISPRUDÊNCIA

TRIBUNAL: Superior Tribunal de Justiça (STJ) – 5ª Turma

PROCESSO: AgRg no AREsp 3.136.623/GO

TEMA: Enquadramento jurídico da conduta do “olheiro” no crime de tráfico de drogas. Coautoria (Art. 33) vs. Colaboração como Informante (Art. 37, ambos da Lei 11.343/2006).

FATO RELEVANTE: Indivíduo foi filmado atuando como vigia para outro que vendia drogas em via pública. Ele permaneceu ao lado do vendedor, monitorando o local para garantir a segurança da operação, caracterizando uma atuação integrada.

TESE JURÍDICA (Argumento): O crime de colaboração (Art. 37 da Lei 11.343/2006) é subsidiário e se aplica apenas à ajuda externa e eventual. A função de “olheiro”, quando desempenhada de forma integrada e essencial à execução da venda (garantindo a segurança no local), configura coautoria por divisão de tarefas, enquadrando-se no crime de tráfico de drogas (Art. 33).

DECISÃO (Resultado): A Quinta Turma do STJ, por unanimidade, manteve a condenação do “olheiro” por tráfico de drogas (Art. 33 da Lei de Drogas), entendendo que sua participação foi um ato de execução indispensável e não uma mera colaboração periférica.

COMO USAR NA PRÁTICA: Este precedente consolida a tese da acusação para imputar o crime de tráfico a todos os envolvidos na cena do crime, incluindo os vigias. Para a defesa, torna-se fundamental demonstrar em juízo que a participação do cliente foi de fato eventual, externa e não essencial para a realização da venda, a fim de afastar a figura da coautoria.

Qual a diferença entre o “olheiro” coautor (art. 33) e o colaborador (art. 37 da Lei de Drogas)?

Esta é a questão central que o STJ esclareceu, e a resposta está na natureza da participação

Sob a relatoria do Ministro Ribeiro Dantas, a Quinta Turma traçou uma linha divisória clara:

Colaborador (Art. 37 da Lei de Drogas): Este crime tem natureza subsidiária. Ele foi criado para punir aquele que presta uma ajuda externa, eventual e periférica ao tráfico. É o caso do informante que não participa diretamente da execução do crime, mas, por exemplo, avisa sobre a chegada da polícia ao bairro. Sua ação não é uma condição indispensável para que a venda de drogas ocorra naquele momento.

Coautor do Tráfico (Art. 33 da Lei de Drogas): Aqui, a atuação do “olheiro” é integrada, ativa e indispensável para a concretização do crime. No caso julgado, o acusado não estava distante; ele permaneceu ao lado do vendedor, garantindo a segurança da operação. Sua presença e vigilância eram parte essencial da dinâmica criminosa, configurando coautoria por divisão de tarefas. Ele detinha, junto com o vendedor, o domínio funcional do fato.

    Em resumo: se a vigilância é um elemento essencial para que a venda aconteça com segurança, ela deixa de ser “colaboração” e passa a ser um ato de “execução” do tráfico.

    Como essa decisão impacta a sua estratégia de defesa?

    Este precedente da Quinta Turma do STJ exige um ajuste fino na tática defensiva para casos semelhantes.

    • A tese de desclassificação fica restrita: Argumentar pela aplicação do art. 37 da Lei 11.343/2006 se torna inviável quando as provas demonstram que o “olheiro” estava presente e atuante na cena do crime. A defesa não pode mais tratar a função de vigia como presumidamente secundária.

    • O foco da defesa deve mudar: A estratégia deve se concentrar em provar que a participação do seu cliente foi, de fato, eventual, externa e não essencial. É preciso demonstrar que a venda ocorreria independentemente da sua presença ou que sua ação foi meramente passiva e sem vínculo com a atividade principal.

    • Absolvição por associação não ajuda: O STJ reforçou que a absolvição pelo crime de associação para o tráfico (art. 35) não impede a condenação por coautoria no tráfico (art. 33 da Lei de Drogas). A associação exige vínculo estável e permanente, enquanto a coautoria pode ocorrer em um único evento. Portanto, o argumento de que “não havia uma quadrilha formada” é ineficaz para afastar a responsabilidade pelo ato específico de tráfico.

    Esta decisão solidifica uma interpretação mais dura sobre a divisão de tarefas no tráfico de drogas. 

    Para o advogado, o desafio é analisar as provas e construir uma narrativa que distancie o seu cliente do núcleo da execução do crime, provando que sua participação foi verdadeiramente periférica.

    Leia também o Modelo de Pedido de Relaxamento de Prisão Preventiva

    JuridicoAI - Escreva peças processuais em minutos
    Carlos Moura Carlos Moura 04/08/2026

    FAQ

    O que é a Jurídico AI e quem está por trás?

    A Jurídico AI é uma plataforma de inteligência artificial para o contencioso trabalhista de médias e grandes empresas. A plataforma lê os processos da empresa, extrai dados estruturados e entrega dossiês de defesa, preparação de audiências e relatórios de passivo em tempo real, para que o departamento jurídico tenha visibilidade e controle sem depender de consolidação manual. Fundada em 2023 por Cesar Orlando (CEO), Marco Barcelos (CTO) e Pedro Tibau, advogado, a empresa reúne experiência em tecnologia e no mercado jurídico brasileiro. A plataforma está em operação desde janeiro de 2024, com investidores estratégicos e infraestrutura certificada Google Cloud Platform.

    Quanto tempo leva para a equipe estar operando?

    Quem vai usar a plataforma precisa de treinamento?

    Com quais sistemas de RH existe integração?

    Quais as vantagens de usar a Jurídico AI?

    Notícias mais lidas

    Direito Civil

    1. 1 Como redigir peças jurídicas estratégicas com mais rapidez 14/09/26 → Ler artigo
    2. 2 Crime de responsabilidade: os principais pontos para a atuação do advogado 14/09/26 → Ler artigo
    3. 3 Erro de premissa fática nos embargos: Como identificar e alegar 12/09/26 → Ler artigo
    4. 4 Erro de premissa fática: o que é e quando ocorre? 12/09/26 → Ler artigo
    5. 5 O que analisar antes de ajuizar uma ação contra companhias aéreas? 11/09/26 → Ler artigo
    6. 6 10 teses jurídicas para ações contra companhias aéreas 11/09/26 → Ler artigo
    7. 7 Reconvenção ou pedido contraposto: qual usar na contestação? 10/09/26 → Ler artigo
    8. 8 Pedido contraposto: quando cabe e como fazer no Juizado Especial? 10/09/26 → Ler artigo
    9. 9 Imissão na posse: quando cabe e como funciona? 10/09/26 → Ler artigo
    10. 10 Como Buscar Jurisprudência com IA de Forma Rápida e Inteligente 09/09/26 → Ler artigo

    Direito Penal

    1. 1 Lei nº 7.492/1986: Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional 14/09/26 → Ler artigo
    2. 2 Contagem de Prazo no CPP: Como funciona? 09/09/26 → Ler artigo
    3. 3 Direito Penal: 5 modelos essenciais para atuação 02/09/26 → Ler artigo
    4. 4 Individualização da pena: como funciona e quais critérios devem ser analisados 26/08/26 → Ler artigo
    5. 5 Apresentação de memoriais: o que significa e qual o prazo? 26/08/26 → Ler artigo
    6. 6 Crime de Prevaricação no Código Penal: Tipos e Pena 23/08/26 → Ler artigo
    7. 7 Superlotação de presídios autoriza a progressão antecipada de regime? 13/08/26 → Ler artigo
    8. 8 Como calcular a progressão de regime? Veja os percentuais e a data-base 13/08/26 → Ler artigo
    9. 9 Progressão de Regime: Entenda os requisitos e como funciona 10/08/26 → Ler artigo
    10. 10 Quando o “olheiro” responde por tráfico de drogas? Entenda a decisão do STJ  04/08/26 → Ler artigo

    Notícias sobre Direito

    1. 1 Provimento 255 do CNJ: o que todo advogado precisa saber 04/09/26 → Ler artigo
    2. 2 STF fixa R$ 5 mil como parâmetro para concessão da Justiça gratuita 04/09/26 → Ler artigo
    3. 3 Resumo em recursos ao STJ só será exigido após publicação de portaria   02/09/26 → Ler artigo
    4. 4 STJ cria dois circuitos para o filtro de relevância; entenda como funcionarão 25/08/26 → Ler artigo
    5. 5 STF valida restrição à recuperação judicial de devedor contumaz 25/08/26 → Ler artigo
    6. 6 CNJ muda regra do ITCMD no inventário extrajudicial: Entenda 20/08/26 → Ler artigo
    7. 7 STF amplia medidas protetivas da Lei Maria da Penha para casos sem vínculo doméstico 20/08/26 → Ler artigo
    8. 8 STF proíbe alíquota maior de IPTU com base na área do imóvel 18/08/26 → Ler artigo
    9. 9 STJ: envio de pornografia sem consentimento pode configurar importunação sexual 17/08/26 → Ler artigo
    10. 10 Casas Bahia: Entenda o pedido de recuperação judicial 17/08/26 → Ler artigo

    Jurídico

    1. 1 O que significa recurso não conhecido? 13/09/26 → Ler artigo
    2. 2 Como funciona o impeachment de ministro do STF? 11/09/26 → Ler artigo
    3. 3 5 processos que todo escritório de advocacia deveria padronizar 11/09/26 → Ler artigo
    4. 4 Qual a diferença entre baixa e arquivamento de processo? 06/09/26 → Ler artigo
    5. 5 Controladoria jurídica: Como funciona no escritório de advocacia? 05/09/26 → Ler artigo
    6. 6 Como captar clientes na advocacia dentro das regras da OAB? 05/09/26 → Ler artigo
    7. 7 O que significa “Conclusos para Despacho”? 04/09/26 → Ler artigo
    8. 8 Despesas processuais: o que são, quais são e quem paga? 24/08/26 → Ler artigo
    9. 9 Preso pode votar? Entenda o que diz a lei! 23/08/26 → Ler artigo
    10. 10 Quando vale a pena recorrer de uma sentença? Entenda! 21/08/26 → Ler artigo

    Recentemente publicadas

    • Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional
      Direito Penal

      Lei nº 7.492/1986: Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional

      A Lei nº 7.492/1986 define crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e estabelece regras penais e processuais aplicáveis a essas condutas.

      → Ler artigo
      14 set, 2026
    • Como redigir peças jurídicas estratégicas com mais rapidez
      Direito Civil

      Como redigir peças jurídicas estratégicas com mais rapidez

      Saiba como organizar documentos, definir teses, antecipar argumentos e usar IA para elaborar peças mais estratégicas.

      → Ler artigo
      14 set, 2026
    • Crime de responsabilidade e os principais pontos para a atuação do advogado
      Direito Civil

      Crime de responsabilidade: os principais pontos para a atuação do advogado

      Crime de responsabilidade nem sempre é uma infração penal. Veja como identificar a natureza da conduta, o órgão competente e o procedimento aplicável.

      → Ler artigo
      14 set, 2026
    • Intimação pelo DTE e início do prazo para apresentação da defesa
      Direito Tributário

      Intimação pelo DTE: quando começa o prazo para a defesa?

      A intimação pelo DTE pode produzir efeitos mesmo sem a abertura da mensagem. Veja quando ocorre a ciência e quais informações devem ser conferidas antes de contar o prazo para defesa.

      → Ler artigo
      14 set, 2026
    • Entenda o que significa recurso não conhecido, por que isso acontece e quais são as consequências para o processo.
      Jurídico

      O que significa recurso não conhecido?

      Entenda o que significa recurso não conhecido, por que isso acontece e quais são as consequências para o processo.

      → Ler artigo
      13 set, 2026

    Modelos Jurídicos

    Veja mais
    • 15 set, 2026
      Contestação: Ação Revisional FGTS Caixa [Modelo Atualizado]

      Contestação: Ação Revisional FGTS Caixa [Modelo Atualizado]

      Modelo atualizado de contestação em ação revisional do FGTS, com fundamentos sobre a TR, o IPCA, os efeitos da ADI 5.090 e a impossibilidade de pagamento retroativo das diferenças.

      → Ler artigo
    • 14 set, 2026
      Modelo de Declaração de Bens e Valores com opções para declaração positiva ou negativa e cláusula de veracidade das informações.

      Modelo de Declaração de Bens e Valores

      Modelo de Declaração de Bens e Valores com opções para declaração positiva ou negativa e cláusula de veracidade das informações.

      → Ler artigo
    • 14 set, 2026
      Modelo de carta de demissão com aviso prévio trabalhado, com campos e informações para formalizar o pedido de desligamento.

      Modelo de Carta de Demissão com Aviso Prévio

      Modelo de carta de demissão com aviso prévio trabalhado, com campos e informações para formalizar o pedido de desligamento.

      → Ler artigo

    Nossos produtos

    • Plataforma Jurídico AI para advogados Para advogados e escritórios

      IA para geração de peças e acompanhamento de casos

      Redação de peças, pesquisa de jurisprudência, transcrição de audiências e acompanhamento de casos. Com o seu tom de voz e o seu timbrado.

      Conhecer o produto
    • Plataforma Jurídico AI para departamentos jurídicos Para departamentos jurídicos

      IA para gestão do contencioso trabalhista

      Análise de processos, identificação de riscos e automação das rotinas do jurídico interno.

      Conhecer o produto