Skills do Claude para advogados: 5 skills prontas para copiar e usar
Jamile Cruz 25/09/202625 minutos
Veja o que são skills do Claude, como instalar e copie 5 skills gratuitas para advogados: petição inicial, notificação extrajudicial, embargos de declaração, agravo de instrumento e análise de contrato.
Durante anos, o ativo mais compartilhado entre advogados foi o modelo de peça: um arquivo de Word passado de colega para colega, adaptado a cada caso. Com a chegada da inteligência artificial à rotina dos escritórios, um novo formato começou a circular com a mesma lógica, só que mais poderoso: as skills do Claude.
Uma skill não entrega um texto pronto para preencher. Ela ensina o Claude a executar uma tarefa jurídica sempre do mesmo jeito, com método, checklist e cuidados. Neste guia, você vai entender o que são skills, como instalar e vai encontrar cinco skills gratuitas para copiar e usar hoje.
O que são skills do Claude?
Uma skill é um arquivo de instruções, chamado SKILL.md, que o Claude consulta quando reconhece que a tarefa pedida corresponde àquela skill. O arquivo tem duas partes:
Cabeçalho: o nome da skill e uma descrição de quando ela deve ser usada. É isso que o Claude lê para decidir se a skill se aplica.
Corpo: o passo a passo que o Claude deve seguir, com regras, checklists e o formato da entrega.
A skill fica instalada na sua conta. Quando você pede “preciso opor embargos de declaração contra esta decisão”, o Claude identifica a skill correspondente e segue o método dela, sem que você precise colar instruções a cada conversa.
O formato das skills é aberto e já foi adotado por outras ferramentas de IA, o que torna esse conhecimento portátil. É por isso que advogados já começaram a compartilhar skills entre si, como antes compartilhavam modelos.
Skill, prompt ou modelo de peça: qual a diferença?
Modelo de peça
Prompt
Skill
O que é
Texto pronto para adaptar
Instrução digitada na conversa
Método salvo e reutilizável
Lê o seu caso
Não
Sim, se você enviar os documentos
Sim, e segue um procedimento sobre eles
Precisa repetir a cada uso
Não
Sim
Não, é ativada sozinha
Garante checklist e cuidados
Não
Só se você lembrar de pedir
Sim, estão embutidos
Pode ser compartilhado
Sim
Sim, mas se perde fácil
Sim, como arquivo
Os três convivem. O modelo de peça continua útil quando você já sabe exatamente o que escrever. A skill faz mais diferença quando o trabalho exige analisar documentos e não esquecer nenhuma etapa.
Como instalar uma skill no Claude?
Há duas formas de instalar as skills deste artigo.
Opção 1: criar a skill direto no Claude
No Claude, em Configurações > Capacidades, ative a execução de código e criação de arquivos.
Vá em Personalizar > Skills e escolha criar uma nova skill.
Cole o texto completo da skill, incluindo o cabeçalho entre as linhas —, e salve.
Opção 2: enviar como arquivo
Crie uma pasta com o nome da skill, por exemplo, peticao-inicial.
Dentro dela, salve o texto num arquivo chamado SKILL.md.
Compacte a pasta em .zip e envie em Personalizar > Skills.
Em planos de equipe, o administrador pode disponibilizar a skill para toda a organização de uma só vez. No Claude Code, basta salvar a pasta em ~/.claude/skills/.
5 skills do Claude para advogados
Todas as skills abaixo seguem três regras comuns: não inventam jurisprudência, marcam com colchetes o que falta preencher e entregam o resultado como rascunho para revisão do advogado.
1. Skill de Petição Inicial
O que faz: organiza os fatos do cliente, confere os requisitos do art. 319 e os documentos indispensáveis do art. 320 do CPC, calcula a lógica do valor da causa pelo art. 292 e verifica os riscos de inépcia antes de redigir.
Quando usar: ao preparar uma ação cível pelo procedimento comum a partir do relato do cliente e dos documentos.
markdown
name: peticao-inicial
description: Elabora petição inicial cível pelo procedimento comum do CPC a partir do relato e dos documentos do cliente. Confere os requisitos do art. 319, os documentos indispensáveis do art. 320, o valor da causa pelo art. 292 e os riscos de inépcia do art. 330 antes de redigir. Use quando o usuário pedir petição inicial, ação, “entrar com um processo”, “ajuizar ação” ou enviar um caso pedindo para processar alguém.
—
# Petição inicial cível
## Regras
– Nunca cite jurisprudência, súmula ou número de processo que não tenha sido fornecido pelo usuário ou verificado numa ferramenta de pesquisa disponível. Use o marcador [JURISPRUDÊNCIA A INSERIR — tese: …].
– Não invente fatos, datas ou valores. O que faltar vira [PREENCHER: …].
– A minuta é um rascunho para revisão do advogado responsável.
## Passo 1 — Entender o caso
Reúna: relato do cliente, documentos, dados das partes e o que o cliente quer obter. Se faltar informação essencial, faça uma única rodada de perguntas objetivas.
## Passo 2 — Definir a ação
Identifique o direito violado, o réu correto, o rito, a competência (juízo e foro) e se cabe tutela provisória, de urgência (art. 300) ou de evidência (art. 311). Explique a escolha em até três linhas.
Se a causa puder tramitar no Juizado Especial Cível (Lei 9.099/1995, art. 3º: valor até 40 salários mínimos ou matéria de menor complexidade), aponte essa alternativa em um parágrafo à parte, com as vantagens e limitações relevantes para o caso (por exemplo: ausência de custas no primeiro grau, dispensa de advogado até 20 salários mínimos, inviabilidade de perícia complexa, restrições de quem pode ser autor no art. 8º). A escolha entre Juizado e procedimento comum é do advogado; a skill só garante que ele a faça sabendo que existe.
## Passo 3 — Checklist do art. 319
Confirme cada item e marque o que falta:
1. Juízo a que é dirigida.
2. Qualificação completa das partes (nome, estado civil, existência de união estável, profissão, CPF ou CNPJ, e-mail, domicílio e residência).
3. Fatos e fundamentos jurídicos do pedido.
4. Pedido com suas especificações.
5. Valor da causa.
6. Provas com que pretende demonstrar os fatos.
7. Opção pela realização ou não de audiência de conciliação ou mediação.
## Passo 4 — Documentos indispensáveis (art. 320)
Liste os documentos que precisam acompanhar a inicial e aponte os que o usuário ainda não enviou. Além dos documentos que provam o direito alegado, inclua sempre os exigidos pela prática do protocolo:
– procuração (art. 287), ressalvadas as hipóteses do art. 104;
– comprovante de recolhimento das custas iniciais ou, se for o caso, pedido de gratuidade da justiça com declaração de hipossuficiência (arts. 98 e 99);
– quando aplicável, pedido de prioridade de tramitação (art. 1.048) com o documento que a comprova (identidade, para pessoa com 60 anos ou mais; laudo, para doença grave).
## Passo 5 — Valor da causa (art. 292)
Indique o critério aplicável (valor do contrato, soma dos pedidos cumulados, valor pretendido na indenização etc.) e mostre a conta.
## Passo 6 — Teste de inépcia (art. 330, § 1º)
Confira se há pedido e causa de pedir, se o pedido é determinado (salvo exceções do art. 324), se a conclusão decorre dos fatos e se os pedidos são compatíveis entre si.
## Passo 7 — Redação
Estrutura: endereçamento, qualificação, síntese, dos fatos, do direito, da tutela provisória (se houver), dos pedidos, das provas, do valor da causa, opção sobre a audiência, fecho. Pedidos numerados, claros e determinados.
## Entrega
1. Resumo: ação escolhida, competência, valor da causa e riscos.
2. Lista de documentos e informações pendentes.
3. Minuta completa.
4. Lembrete: se houver defeito sanável, o juiz manda emendar em 15 dias (art. 321); melhor corrigir antes.
2. Skill de Notificação Extrajudicial
O que faz: identifica o objetivo da notificação (constituir em mora, cobrar, denunciar contrato, exigir que uma conduta pare), escolhe o meio de envio com prova de recebimento e redige com firmeza, sem ameaças que possam virar problema para o cliente.
Quando usar: antes de uma ação judicial ou para exercer um direito que exige aviso prévio.
markdown
name: notificacao-extrajudicial
description: Redige notificação extrajudicial com objetivo jurídico definido (constituir em mora, cobrar, rescindir ou denunciar contrato, exigir cessação de conduta, exercer direito que exige aviso prévio). Escolhe o meio de envio com prova e evita linguagem que configure ameaça ou cobrança abusiva. Use quando o usuário pedir notificação, notificar alguém, carta de cobrança formal, aviso de rescisão ou “mandar uma notificação antes de processar”. Não use para notificação ou interpelação judicial (arts. 726 a 729 do CPC) nem para responder a uma notificação recebida.
—
# Notificação extrajudicial
## Regras
– Não invente fatos, valores ou prazos contratuais. O que faltar vira [PREENCHER: …].
– Firmeza sem ameaça: nada de expor o notificado, ameaçar com medidas ilegais ou prometer consequências que não existem.
– A minuta é um rascunho para revisão do advogado responsável.
## Passo 1 — Definir o objetivo
Pergunte, se não estiver claro, o que a notificação precisa produzir:
– constituir o devedor em mora, quando a obrigação não tem data certa (art. 397, parágrafo único, do Código Civil);
– cobrar valor vencido;
– rescindir ou denunciar contrato, respeitando o aviso prévio contratual ou legal;
– exigir que uma conduta pare (uso indevido de marca, imagem, obra, perturbação);
– exercer direito que depende de aviso (ex.: preferência na venda do imóvel locado).
O objetivo define o conteúdo e o prazo.
## Passo 2 — Alertas jurídicos
– Notificação extrajudicial enviada pelo credor, em regra, não interrompe a prescrição. Se o prazo prescricional estiver perto do fim, avise o usuário de que pode ser preciso uma medida judicial.
– Em relações de consumo, cobrança não pode expor o consumidor ao ridículo nem usar constrangimento ou ameaça (arts. 42 e 71 do CDC).
– Confira se o contrato prevê forma específica de notificação (endereço, e-mail, prazo) e siga-a.
## Passo 3 — Meio de envio
Recomende o meio conforme a necessidade de prova: Cartório de Títulos e Documentos (maior força probatória), carta com aviso de recebimento, ou e-mail/mensagem com confirmação de leitura quando o contrato admitir. Explique a escolha em uma linha.
## Passo 4 — Redação
Estrutura:
1. Identificação do notificante e do notificado.
2. Fatos, em ordem cronológica e objetiva.
3. Fundamento contratual ou legal.
4. O que se exige, de forma específica. Em cobrança, discrimine o valor com memória de cálculo (principal, encargos, datas e critério), incluindo apenas multa, juros, correção ou honorários previstos no contrato ou na lei; o que não tiver previsão fica de fora, porque cobrar encargo indevido enfraquece a notificação e, em relação de consumo, pode gerar devolução em dobro (art. 42, parágrafo único, do CDC).
5. Prazo razoável para cumprimento, dizendo de quando ele se conta (em regra, do recebimento da notificação), para que não haja dúvida sobre o termo final.
6. Consequência do descumprimento, limitada ao que é lícito (ex.: adoção das medidas judiciais cabíveis).
7. Ressalva expressa de direitos, para que a notificação não seja lida como renúncia ou quitação de outras pretensões.
8. Canal para resposta, local, data e assinatura.
## Entrega
1. Objetivo e meio de envio recomendados.
2. Alertas (prescrição, forma contratual, CDC), se houver.
3. Minuta completa.
3. Skill de embargos de declaração
O que faz: lê a decisão, procura omissão, contradição, obscuridade e erro material com base no art. 1.022 do CPC, testa se o vício é real ou se o usuário só discorda do resultado e redige os embargos com o prequestionamento, quando for o caso.
Quando usar: logo após a intimação de sentença, acórdão ou decisão interlocutória com vício.
markdown
name: embargos-de-declaracao
description: Analisa uma decisão judicial e redige embargos de declaração quando houver omissão, contradição, obscuridade ou erro material (art. 1.022 do CPC). Testa se o vício é real ou mero inconformismo, trata do prequestionamento e alerta sobre o risco de multa por embargos protelatórios. Use quando o usuário pedir embargos de declaração, “embargar a decisão”, apontar que o juiz não analisou um argumento ou quiser prequestionar matéria para recurso especial ou extraordinário.
—
# Embargos de declaração
## Regras
– Nunca cite jurisprudência não fornecida ou não verificada. Use [JURISPRUDÊNCIA A INSERIR — tese: …].
– Embargos não servem para rediscutir o mérito por inconformismo. Se for só isso, diga ao usuário e sugira o recurso adequado.
– A minuta é um rascunho para revisão do advogado responsável.
## Passo 1 — Insumos
Peça a decisão embargada e as peças em que estão os argumentos que teriam sido ignorados (inicial, contestação, razões de recurso).
## Passo 2 — Prazo
Informe a regra: 5 dias úteis (art. 1.023 do CPC; no Juizado Especial, também 5 dias). O prazo é contado em dobro para a Fazenda Pública, o Ministério Público e a Defensoria Pública (arts. 180, 183 e 186) e para litisconsortes com procuradores de escritórios distintos em autos físicos (art. 1.023, § 1º, c/c art. 229); pergunte quem é o embargante se isso não estiver claro, porque informar metade do prazo real é tão ruim quanto informar o dobro. Não afirme a data final como certa; peça que o advogado confira.
## Passo 3 — Varredura dos vícios (art. 1.022)
Para cada vício, registre: existe / não existe / trecho da decisão.
– **Obscuridade:** trecho que não permite entender o que foi decidido.
– **Contradição:** proposições incompatíveis dentro da própria decisão (não contradição com a prova ou com outra decisão).
– **Omissão:** ponto ou questão sobre a qual o juiz devia se pronunciar e não se pronunciou, incluindo deixar de se manifestar sobre tese de recurso repetitivo ou de IAC aplicável e as falhas de fundamentação do art. 489, § 1º.
– **Erro material:** erro de nome, número, cálculo ou digitação.
Monte uma tabela: argumento da parte | onde foi apresentado (peça e página) | como a decisão tratou.
## Passo 4 — Teste de honestidade
Se o único “vício” for discordância com a conclusão, avise que os embargos podem ser considerados protelatórios, com multa de até 2% do valor atualizado da causa, que pode chegar a 10% em caso de reiteração (art. 1.026, §§ 2º e 3º). Explique também as consequências que mais pesam na prática: na reiteração, a interposição de qualquer outro recurso fica condicionada ao depósito prévio da multa, salvo para a Fazenda Pública e o beneficiário da gratuidade, que a pagam ao final (§ 3º); e, se os dois embargos anteriores tiverem sido considerados protelatórios, novos embargos não serão admitidos (§ 4º).
Ao calibrar o alerta, considere que embargos opostos com o propósito evidente de prequestionar não costumam ser tidos como protelatórios. [JURISPRUDÊNCIA A INSERIR — tese: embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório.]
## Passo 5 — Prequestionamento
Se houver intenção de recurso especial ou extraordinário, inclua os dispositivos legais ou constitucionais que precisam ser enfrentados. Lembre que o art. 1.025 considera incluídos no acórdão os elementos suscitados nos embargos, se o tribunal superior reconhecer o vício.
Avise o usuário de que, se o tribunal rejeitar os embargos e a omissão persistir, o recurso especial deve alegar também violação ao art. 1.022; sem essa alegação, a matéria tende a ser considerada não prequestionada e o art. 1.025 não socorre a parte. [JURISPRUDÊNCIA A INSERIR — tese: a aplicação do prequestionamento ficto do art. 1.025 do CPC exige que o recurso especial indique violação ao art. 1.022 do CPC.]
## Passo 6 — Efeitos infringentes
Se a correção do vício puder mudar o resultado, peça expressamente os efeitos modificativos e lembre que o embargado será intimado para se manifestar (art. 1.023, § 2º).
## Passo 7 — Redação
Estrutura: endereçamento ao prolator da decisão, tempestividade, síntese da decisão, um tópico para cada vício (com o trecho da decisão e o ponto omitido, citando a peça e a página), prequestionamento, pedidos.
## Entrega
1. Tabela de vícios encontrados e descartados.
2. Alerta de risco de multa, se aplicável.
3. Minuta completa.
4. Lembrete: os embargos interrompem o prazo para a interposição de outros recursos, mas não têm efeito suspensivo (art. 1.026): a decisão embargada continua produzindo efeitos e pode ser cumprida enquanto eles pendem, o que importa sobretudo quando há liminar, tutela ou condenação exigível.
4. Skill de agravo de instrumento
O que faz: confere o cabimento pelo art. 1.015 do CPC e pela taxatividade mitigada, organiza as peças do art. 1.017, avalia o pedido de efeito suspensivo ou de tutela recursal e redige as razões.
Quando usar: contra decisões interlocutórias que precisam ser revistas antes da sentença.
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name: agravo-de-instrumento
description: Analisa uma decisão interlocutória e redige agravo de instrumento. Confere o cabimento (art. 1.015 do CPC e taxatividade mitigada), os requisitos do art. 1.016, as peças do art. 1.017 e o pedido de efeito suspensivo ou antecipação da tutela recursal (art. 1.019, I). Use quando o usuário pedir agravo de instrumento, “recorrer da decisão do juiz” antes da sentença, ou enviar uma decisão liminar ou interlocutória pedindo para reverter. Não use para decisões interlocutórias do Juizado Especial Cível, onde o agravo de instrumento, em regra, não é cabível.
—
# Agravo de instrumento
## Regras
– Nunca cite jurisprudência não fornecida ou não verificada. Use [JURISPRUDÊNCIA A INSERIR — tese: …].
– Não invente datas nem conteúdo de peças. O que faltar vira [PREENCHER: …].
– A minuta é um rascunho para revisão do advogado responsável.
## Passo 1 — Insumos
Peça a decisão agravada, a data de intimação e as peças do processo relacionadas à decisão.
## Passo 2 — Cabimento
1. Verifique primeiro a fase do processo. Na liquidação de sentença, no cumprimento de sentença, no processo de execução e no inventário, **toda** decisão interlocutória é agravável (art. 1.015, parágrafo único), independentemente dos incisos; nesses casos, não é preciso recorrer à taxatividade mitigada.
2. Fora dessas fases, verifique se a decisão se enquadra num dos incisos do art. 1.015 (tutelas provisórias, mérito do processo, gratuidade, exibição de documento, exclusão de litisconsorte, entre outros) ou em hipótese prevista em lei. Leia o inciso com atenção ao sentido da decisão: o inciso V, por exemplo, cobre só a rejeição do pedido de gratuidade ou o acolhimento do pedido de revogação, e não a decisão que a concede.
3. Se não se enquadrar, avalie a taxatividade mitigada: o STJ admite agravo quando há urgência decorrente da inutilidade de discutir a questão só na apelação. Explique ao usuário o risco de inadmissão.
4. Se não couber agravo, diga isso e indique o caminho (preliminar de apelação, art. 1.009, § 1º).
## Passo 3 — Prazo
Informe a regra: 15 dias úteis (art. 1.003, § 5º). O prazo é contado em dobro para a Fazenda Pública, o Ministério Público e a Defensoria Pública (arts. 180, 183 e 186) e para litisconsortes com procuradores de escritórios distintos em autos físicos (art. 229). Pergunte quem é o agravante se isso não estiver claro. Não afirme a data final como certa; peça que o advogado confira.
## Passo 4 — Peças (art. 1.017)
– Processo eletrônico: as peças obrigatórias são dispensadas (art. 1.017, § 5º), mas o agravante pode juntar as que considerar úteis.
– Processo físico: cópias da inicial, da contestação, da petição que ensejou a decisão, da própria decisão, da certidão de intimação (ou documento que comprove a tempestividade) e das procurações; além disso, comprovar a juntada da cópia do agravo na origem em 3 dias (art. 1.018).
– Lembre do preparo, conforme a tabela do tribunal, salvo gratuidade.
## Passo 5 — Urgência
Avalie se cabe pedir tutela no próprio agravo (art. 1.019, I), demonstrando a probabilidade de provimento e o risco de dano grave ou de difícil reparação. Escolha o pedido pelo sentido da decisão agravada:
– se a decisão **concedeu** algo (deferiu liminar, determinou penhora, impôs obrigação), peça **efeito suspensivo**, para que ela deixe de produzir efeitos;
– se a decisão **negou** algo (indeferiu liminar, rejeitou pedido), peça **antecipação da tutela recursal**, para obter desde logo o que foi negado. Suspender uma negativa não produz efeito algum, e esse é o ponto mais urgente do recurso.
## Passo 6 — Redação (art. 1.016)
Estrutura: endereçamento ao tribunal, nomes das partes, nomes e endereços completos dos advogados, cabimento e tempestividade, síntese da decisão, razões do pedido de reforma ou invalidação, pedido de efeito suspensivo ou tutela recursal, pedidos finais.
## Entrega
1. Parecer curto de cabimento, com o risco.
2. Lista de peças e providências (preparo, comunicação na origem, se autos físicos).
3. Minuta completa.
5. Skill de análise de contrato
O que faz: revisa o contrato cláusula por cláusula, identifica riscos para o cliente, verifica pontos sensíveis (multa, rescisão, foro, arbitragem, LGPD, CDC) e sugere nova redação para as cláusulas problemáticas.
Quando usar: antes de o cliente assinar, renovar ou contestar um contrato.
markdown
name: analise-de-contrato
description: Revisa contratos do ponto de vista de uma das partes, classifica os riscos de cada cláusula (alto, médio, baixo), verifica pontos sensíveis do direito brasileiro (cláusula penal, rescisão, reajuste, foro, arbitragem, LGPD, CDC, contrato de adesão) e sugere nova redação. Use quando o usuário pedir análise, revisão, parecer ou “dar uma olhada” num contrato, perguntar se pode assinar, ou enviar um contrato pedindo os riscos.
—
# Análise de contrato
## Regras
– Pergunte, se não estiver claro, qual parte o usuário representa. A análise muda conforme o lado.
– Não invente cláusulas nem fatos. Cite a cláusula pelo número.
– Nunca cite jurisprudência não fornecida ou não verificada. Use [JURISPRUDÊNCIA A INSERIR — tese: …].
– O resultado é um rascunho para revisão do advogado responsável.
## Passo 1 — Contexto
Identifique: tipo de contrato, partes, objeto, valor, prazo e se há relação de consumo ou contrato de adesão. Pergunte o que mais preocupa o cliente.
## Passo 2 — Checklist
Para cada item, registre: cláusula | o que diz | risco para o cliente | sugestão.
1. Partes e poderes de quem assina.
2. Objeto: está definido com clareza?
3. Preço, forma de pagamento e reajuste (índice e periodicidade). O reajuste com periodicidade inferior a um ano é nulo (Lei 10.192/2001, art. 2º, § 1º).
4. Prazo, renovação automática e aviso prévio.
5. Rescisão: hipóteses, multa e proporcionalidade. A cláusula penal não pode exceder o valor da obrigação principal (art. 412 do Código Civil).
6. Responsabilidade e limitação de responsabilidade. Em relação de consumo, a cláusula que exonera ou atenua a responsabilidade do fornecedor é nula (CDC, arts. 25 e 51, I). Entre empresas, a limitação em regra vale, mas não alcança danos causados por dolo ou culpa grave; avalie se o teto é compatível com o risco real do objeto.
7. Garantias.
8. Confidencialidade e propriedade intelectual.
9. Proteção de dados pessoais (LGPD), se houver tratamento de dados.
10. Foro e solução de conflitos.
– Foro de eleição: desde a Lei 14.879/2024, a cláusula precisa guardar pertinência com o domicílio ou a residência de uma das partes ou com o local da obrigação (CPC, art. 63, § 1º); sem isso, é ineficaz, e o ajuizamento em juízo aleatório é prática abusiva (§ 5º).
– Arbitragem em contrato de adesão: só vale se o aderente tomar a iniciativa ou concordar expressamente, por escrito, em documento anexo ou em negrito, com assinatura ou visto especial para ela (art. 4º, § 2º, da Lei 9.307/96).
– Arbitragem em relação de consumo: a cláusula que impõe a utilização compulsória de arbitragem é nula (CDC, art. 51, VII), regra mais rígida que a do contrato de adesão em geral.
11. Relação de consumo: verifique cláusulas abusivas (art. 51 do CDC).
12. Contrato de adesão: cláusulas ambíguas se interpretam a favor do aderente, e é nula a renúncia antecipada a direito resultante da natureza do negócio (arts. 423 e 424 do Código Civil).
13. Exequibilidade: verifique como o contrato será assinado. Sem a assinatura de duas testemunhas, ou assinatura eletrônica que as dispense (CPC, art. 784, III e § 4º), o contrato não é título executivo, e quem for credor precisará de ação de conhecimento para cobrar. Se o cliente for credor de obrigações de pagar, recomende colher as testemunhas ou usar assinatura eletrônica com verificação de integridade.
## Passo 3 — Classificação
– **Alto:** pode gerar perda relevante ou é provavelmente nula ou abusiva.
– **Médio:** desequilibra o contrato, mas é negociável.
– **Baixo:** ajuste de redação ou clareza.
Nos contratos entre empresas, calibre a classificação pelo art. 421-A do Código Civil, que presume a paridade e a simetria entre as partes e torna excepcional a revisão judicial. Uma cláusula apenas desequilibrada entre empresas raramente será anulada; classifique-a pelo impacto que produz se for cumprida como está escrita, e reserve o fundamento “provavelmente nula” para as nulidades expressas em lei (por exemplo, reajuste inferior a um ano, cláusula penal acima do art. 412, foro sem pertinência). Classificar como nula uma cláusula que o juiz tende a manter dá ao cliente uma segurança que ele não terá.
## Passo 4 — Sugestões
Para cada risco alto ou médio, proponha a nova redação da cláusula, pronta para enviar à outra parte.
## Entrega
1. Resumo executivo em até cinco linhas: pode assinar como está, assinar com ajustes ou não assinar.
2. Tabela de riscos ordenada do mais grave ao menos grave.
3. Redações sugeridas.
4. Perguntas para o cliente sobre pontos que dependem de informação.
Cuidados ao usar skills na advocacia
Revise sempre: Uma skill organiza o método, mas não substitui a leitura do advogado. Quem assina a peça responde por ela.
Confira toda jurisprudência: As skills deste artigo proíbem o Claude de inventar julgados e deixam marcadores onde um precedente ajudaria.
Instale só skills de fontes confiáveis: Uma skill pode conter instruções e até scripts. Antes de instalar uma skill compartilhada por terceiros, leia o conteúdo. As cinco deste artigo são só texto, e você pode conferir cada linha antes de usar.
Cuide do sigilo: Envie ao Claude só os dados que a tarefa exige e use iniciais quando o nome do cliente não for necessário. Revise também as configurações de privacidade da sua conta.
Como criar a sua própria skill
As skills deste artigo são um ponto de partida. O maior valor está em transformar o jeito do seu escritório em skill:
Escolha uma tarefa repetitiva, como uma peça que você faz toda semana.
Escreva a descrição pensando em quando ela deve ser usada, com as palavras que você usaria ao pedir a tarefa.
Transforme o seu checklist mental em passos numerados.
Defina o formato da entrega: o que vem primeiro, o que precisa de destaque, o que fica marcado para revisão.
Teste com dois ou três casos reais e ajuste o texto até o resultado sair como você faria.
Onde a Jurídico AI entra?
As skills tornam o Claude mais metódico, mas ele continua dependendo de você para trazer a jurisprudência.
Na Jurídico AI, a busca de jurisprudência encontra decisões reais para cada tese, com a referência para conferir, e a plataforma redige peças e contratos com fundamentação, sem instalar nada.
Você pode usar as skills no Claude e a Jurídico AI para pesquisar os precedentes, ou fazer tudo direto na plataforma, com teste grátis sem cartão de crédito.
As skills do Claude são gratuitas?
As skills deste artigo são gratuitas: basta copiar e instalar. Para usá-las, a sua conta do Claude precisa ter skills e execução de código habilitadas. Confira a disponibilidade no seu plano na central de ajuda da Anthropic.
Qual a diferença entre skill e prompt?
O prompt é digitado a cada conversa e depende de você lembrar de tudo. A skill fica salva na conta, é ativada sozinha quando a tarefa aparece e sempre segue o mesmo método.
Posso editar as skills?
Pode e deve. Ajuste a estrutura, o estilo e os checklists ao padrão do seu escritório. É só editar o texto e reinstalar.
As skills funcionam no ChatGPT ou no Gemini?
O formato de skills é aberto e já foi adotado por outras ferramentas além do Claude. As skills deste artigo foram escritas e testadas para o Claude.
A skill garante que a peça está correta?
Não. Ela reduz esquecimentos e organiza o trabalho, mas a revisão e a responsabilidade continuam sendo do advogado
Jamile Cruz 25/09/2026
Graduanda em Direito e Marketing, pós-graduada em Direito Civil e Direito Digital. Possui experiência na redação de peças processuais, produção de conteúdo jurídico e SEO. É pesquisadora na área de Inteligência Artificial e Direito, com interesse nos impactos e desafios da tecnologia no sistema de Justiça. Inscrita na OAB/BA como estagiária, sob o nº 33984E
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