Jurídico AI lança plataforma para gestão e inteligência do contencioso trabalhista para departamentos jurídicos.

Saiba mais
Notícias sobre Direito

TST autoriza pagamento de custas sem ser no Banco do Brasil e na Caixa

Carlos Silva Carlos Silva 17/09/2026 7 minutos
A Sexta Turma do TST reconheceu a validade do pagamento de custas processuais por GRU em banco diferente do Banco do Brasil e da Caixa. Entenda quando o precedente pode ser utilizado e quais cuidados o advogado deve observar.
TST autoriza pagamento de custas sem ser no Banco do Brasil e na Caixa

A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho decidiu que o pagamento das custas processuais por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU) pode ser considerado válido mesmo quando realizado em banco diferente do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

No caso analisado, a empresa pagou a guia pelo Sicredi. Como o valor foi corretamente destinado à Conta Única do Tesouro Nacional e não houve prejuízo, o TST afastou a deserção do recurso.

Clique no banner abaixo e conheça como a Jurídico AI pode apoiar sua rotina jurídica.

Jurídico AI — Crie peças e documentos jurídicos em minutos

O que o advogado precisa saber sobre a decisão?

A decisão permite sustentar a validade do recolhimento quando as custas forem pagas em outra instituição financeira, desde que:

  • seja utilizada a GRU Judicial adequada;
  • a guia tenha código de barras;
  • o pagamento seja concluído dentro do prazo;
  • o valor recolhido esteja correto;
  • o comprovante permita identificar a operação;
  • o dinheiro seja efetivamente destinado à União.

O ponto central não é apenas qual banco processou o pagamento, mas se o recolhimento cumpriu sua finalidade.

Assim, se um recurso for considerado deserto exclusivamente porque as custas foram pagas em instituição diferente do Banco do Brasil ou da Caixa, o advogado poderá utilizar a decisão do TST para questionar esse formalismo.

As custas trabalhistas agora podem ser pagas em qualquer banco?

A decisão não deve ser interpretada como uma autorização irrestrita para pagar as custas por qualquer meio ou deixar de observar as orientações do tribunal.

O entendimento foi aplicado a uma GRU Judicial com código de barras, cujo pagamento foi devidamente identificado e destinado à Conta Única do Tesouro Nacional. Portanto, continuam sendo indispensáveis a emissão da guia correta, o recolhimento do valor devido e a comprovação dentro do prazo recursal.

Além disso, a decisão foi proferida pela Sexta Turma do TST em um caso concreto. Embora seja um precedente importante para situações semelhantes, não substitui automaticamente os procedimentos indicados pelo tribunal no momento do recolhimento.

Na prática, a opção mais segura continua sendo seguir as orientações oficiais. A decisão ganha importância principalmente quando a deserção já foi declarada apenas em razão do banco utilizado.

Quais cuidados devem ser adotados no pagamento das custas?

Antes de protocolar o recurso, o advogado deve conferir:

  • se a guia corresponde ao processo e à receita adequada;
  • se o código de recolhimento está correto;
  • se o valor pago coincide com o valor devido;
  • se o pagamento foi efetivado dentro do prazo;
  • se o comprovante demonstra a conclusão da operação;
  • se a guia e o comprovante foram juntados tempestivamente.

O comprovante de agendamento, sozinho, não demonstra que o pagamento foi efetivamente concluído.

Também é importante não confundir as custas processuais com o depósito recursal. Embora ambos possam integrar o preparo, possuem finalidades e regras diferentes.

Para aprofundar essa distinção, confira o artigo sobre depósito recursal trabalhista e os cuidados para evitar a deserção.

Por que o recurso havia sido considerado deserto?

O caso envolveu a Porto Tapajós Empreendimentos Imobiliários e Serviços Portuários Ltda., condenada em uma ação trabalhista na qual foram reconhecidos o vínculo de emprego e o direito do trabalhador a horas extras e verbas rescisórias.

Ao apresentar recurso ordinário, a empresa realizou o pagamento das custas processuais e do depósito recursal pelo Sicredi.

O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, responsável pelos estados do Pará e do Amapá, considerou o recurso deserto por entender que a GRU das custas não havia sido paga em uma instituição autorizada.

O fundamento utilizado foi o Ato Conjunto TST/CSJT nº 21/2010, que disciplina o recolhimento das custas e dos emolumentos na Justiça do Trabalho e menciona o código 18740-2 — STN-Custas Judiciais (Caixa/BB).

A empresa recorreu ao TST sustentando que o pagamento havia sido efetivamente realizado e que o valor foi destinado à União, apesar de a operação ter sido processada pelo Sicredi.

Por que o TST considerou o pagamento válido?

Para o relator, ministro Fabrício Gonçalves, o Ato Conjunto TST/CSJT nº 21/2010 não determina expressamente que a GRU das custas processuais seja paga exclusivamente no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal.

A referência aos bancos oficiais estaria relacionada ao contexto existente quando a GRU foi implementada. Naquele período, as guias podiam ser preenchidas manualmente e não apresentavam necessariamente código de barras. O pagamento diretamente nessas instituições ajudava a garantir o direcionamento dos valores aos cofres da União.

Com a emissão eletrônica das guias e a utilização do código de barras, a realidade mudou. O mecanismo permite identificar a receita e destinar o valor à Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente da instituição utilizada para processar o pagamento.

No caso analisado, as custas chegaram corretamente aos cofres públicos e não houve prejuízo à arrecadação, às partes ou a terceiros. Por isso, a Sexta Turma considerou excessivo impedir o julgamento do recurso apenas em razão do banco utilizado.

A decisão foi unânime. O TST determinou o retorno do processo ao TRT da 8ª Região para que o recurso ordinário seja analisado, superada a questão da deserção.

O julgamento ocorreu no processo 0000372-77.2025.5.08.0113. As informações estão disponíveis no site oficial do TST.

A decisão também vale para o depósito recursal?

No caso concreto, a empresa realizou tanto o pagamento das custas quanto o depósito recursal pelo Sicredi. Contudo, a controvérsia destacada no julgamento e na divulgação oficial do TST concentra-se na validade do recolhimento das custas por GRU em banco diferente do Banco do Brasil e da Caixa.

Por isso, o entendimento não deve ser automaticamente estendido a toda e qualquer irregularidade relacionada ao depósito recursal.

O depósito recursal possui regras próprias quanto à forma de recolhimento, ao valor, ao prazo e à comprovação. Essas exigências precisam ser analisadas separadamente.

Clique no banner abaixo e veja como a Jurídico AI pode ajudar você a analisar casos e criar peças mais estratégicas.

Jurídico AI — Crie peças e documentos jurídicos em minutos

As custas trabalhistas precisam ser pagas somente no Banco do Brasil ou na Caixa?

Segundo a decisão da Sexta Turma do TST, o pagamento por GRU com código de barras pode ser válido mesmo quando processado por outra instituição financeira, desde que o valor seja corretamente destinado à União e o preparo seja devidamente comprovado.

O pagamento em outro banco sempre afasta a deserção?

Não. É necessário demonstrar que a guia estava correta, o pagamento foi efetivado no prazo, o valor era suficiente e o dinheiro foi destinado aos cofres públicos.

A decisão vale para todos os processos trabalhistas?

Trata-se de uma decisão da Sexta Turma do TST em um caso concreto. O entendimento pode ser utilizado como precedente em situações semelhantes, mas não substitui automaticamente as normas e orientações aplicáveis a cada processo.

A decisão também se aplica ao depósito recursal?

A controvérsia examinada pelo TST concentrou-se no pagamento das custas por GRU. As regras do depósito recursal devem ser verificadas separadamente.

Carlos Silva Carlos Silva 17/09/2026

Formado em Direito e pesquisador nas áreas de Direito Civil e Tecnologia. Possui experiência prática na redação de peças jurídicas e no desenvolvimento de estratégias processuais. Atua com marketing, produção de conteúdo jurídico e SEO. Produz conteúdos que aproximam o Direito da tecnologia, com informações claras, relevantes e aplicáveis à rotina dos advogados.

Notícias mais lidas

Direito Civil

  1. 1 É possível acumular benefícios do INSS? Veja o que é permitido 30/10/26 → Ler artigo
  2. 2 Fake news nas eleições: quando pedir remoção ou direito de resposta? 29/10/26 → Ler artigo
  3. 3 Recursos repetitivos: o que são e como funcionam 29/10/26 → Ler artigo
  4. 4 Quais são os principais crimes eleitorais no dia da votação? 29/10/26 → Ler artigo
  5. 5 Resumo estruturado no STJ: como preparar e o que evitar 29/10/26 → Ler artigo
  6. 6 Petição inicial de auxílio-doença: como fazer, documentos e tutela 28/10/26 → Ler artigo
  7. 7 Benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença): requisitos, valor e como pedir 28/10/26 → Ler artigo
  8. 8 Benefícios do INSS: quais são e quem tem direito 28/10/26 → Ler artigo
  9. 9 Perícia médica do INSS: agendamento, documentos e como contestar 28/10/26 → Ler artigo
  10. 10 Agravo em Recurso Especial: Quando cabe? 27/10/26 → Ler artigo

Direito Penal

  1. 1 Crimes conexos: tipos e exemplos 29/10/26 → Ler artigo
  2. 2 Apelação Criminal: Prazos e Cabimento no CPP 27/10/26 → Ler artigo
  3. 3 Liberdade provisória: requisitos e como fundamentar o pedido 27/10/26 → Ler artigo
  4. 4 Absolvição sumária no processo penal [Art. 397 CPP] 25/10/26 → Ler artigo
  5. 5 Homicídio culposo: penas, provas e possibilidades de defesa 23/10/26 → Ler artigo
  6. 6 Transação penal: requisitos, como funciona e atuação do advogado 19/10/26 → Ler artigo
  7. 7 Cárcere privado: requisitos, penas e atuação do advogado 16/10/26 → Ler artigo
  8. 8 Queixa-crime por injúria: prazo, provas e como elaborar 15/10/26 → Ler artigo
  9. 9 Lesão corporal (art. 129 CP): provas, enquadramento e atuação do advogado 14/10/26 → Ler artigo
  10. 10 Art. 121 do Código Penal: entenda o homicídio e suas principais modalidades 07/10/26 → Ler artigo

Notícias sobre Direito

  1. 1 STF valida fim da isenção previdenciária parcial por doença grave: ADI 6336 30/10/26 → Ler artigo
  2. 2 CNJ admite procurações assinadas pelo gov.br em processos judiciais 28/10/26 → Ler artigo
  3. 3 Candidato inelegível pode registrar candidatura? Entenda o caso Pablo Marçal 23/10/26 → Ler artigo
  4. 4 INSS não pode negar pedido de benefício apto sem permitir complementação de prova 22/10/26 → Ler artigo
  5. 5 STF valida conciliação criminal em delegacias: o que muda para a advocacia criminal? 21/10/26 → Ler artigo
  6. 6 Compensação da dívida não reduz base dos honorários, decide STJ 20/10/26 → Ler artigo
  7. 7 Usucapião de domínio na internet: STJ discute possibilidade 20/10/26 → Ler artigo
  8. 8 Dia do Servidor Público e Finados 2026: cuidados com os prazos processuais 20/10/26 → Ler artigo
  9. 9 Fim da escala 6×1 promulgado: quando começa a valer e o que muda 15/10/26 → Ler artigo
  10. 10 NR-1: STF suspende ações por 60 dias 14/10/26 → Ler artigo

Jurídico

  1. 1 IA nas Eleições: O que pode gerar remoção, multa ou cassação? 29/10/26 → Ler artigo
  2. 2 Como criar modelos de peças jurídicas? Faça uma vez, use sempre e adapte cada caso com a Jurídico AI 29/10/26 → Ler artigo
  3. 3 Reforma Administrativa: o que pode mudar no serviço público? 26/10/26 → Ler artigo
  4. 4 Contratos Administrativos na Lei nº 14.133/2021: tipos e características 23/10/26 → Ler artigo
  5. 5 Guia prático para localizar jurisprudência no TJSP 23/10/26 → Ler artigo
  6. 6 Primeiro atendimento com o cliente: guia para advogados 23/10/26 → Ler artigo
  7. 7 Quer atuar no Direito Eleitoral? Veja as oportunidades nas Eleições 2026 23/10/26 → Ler artigo
  8. 8 Preso pode votar? Entenda o que diz a lei! 23/10/26 → Ler artigo
  9. 9 Como precificar honorários advocatícios? 7 passos para cobrar com segurança e valorizar seu trabalho 22/10/26 → Ler artigo
  10. 10 Quebra de Sigilo Bancário: Regras e Base Legal 22/10/26 → Ler artigo

Recentemente publicadas

  • acumular benefícios do INSS
    Direito Civil

    É possível acumular benefícios do INSS? Veja o que é permitido

    Veja como analisar a acumulação de benefícios do seu cliente e preparar requerimentos, recursos ou defesas com a Jurídico AI.

    → Ler artigo
    30 out, 2026
  • STF valida fim da isenção previdenciária parcial para servidores com doenças graves
    Notícias sobre Direito

    STF valida fim da isenção previdenciária parcial por doença grave: ADI 6336

    O STF validou o fim do duplo teto previdenciário. Entenda a decisão, analise os descontos e prepare sua minuta com a Jurídico AI.

    → Ler artigo
    30 out, 2026
  • Fake News nas eleições
    Direito Civil

    Fake news nas eleições: quando pedir remoção ou direito de resposta?

    Com o início da campanha eleitoral, conteúdos falsos e ofensivos exigem reação rápida. Entenda quando pedir remoção, direito de resposta ou as duas medidas.

    → Ler artigo
    29 out, 2026
  • IA nas Eleições_ O que pode gerar remoção, multa ou cassação_
    Jurídico

    IA nas Eleições: O que pode gerar remoção, multa ou cassação?

    Entenda quando o uso irregular de IA pode gerar remoção, multa ou cassação.

    → Ler artigo
    29 out, 2026
  • Como criar modelos de peças jurídicas?
    Jurídico

    Como criar modelos de peças jurídicas? Faça uma vez, use sempre e adapte cada caso com a Jurídico AI

    Aprenda como criar modelos de peças jurídicas, padronizar estruturas, organizar campos variáveis e adaptar petições a novos casos. Veja como utilizar a inteligência artificial para otimizar a produção jurídica e economizar tempo no escritório.

    → Ler artigo
    29 out, 2026

Modelos Jurídicos

Veja mais
  • 31 out, 2026
    Modelo de Comunicação de Estabilidade Pré-Aposentadoria

    Modelo de Comunicação de Estabilidade Pré-Aposentadoria

    Modelo de Comunicação de Estabilidade Pré-Aposentadoria para formalizar perante o empregador a garantia provisória de emprego prevista em norma coletiva.

    → Ler artigo
  • 30 out, 2026
    Modelo de Codicilo

    Modelo de Codicilo

    Modelo de Codicilo para dispor sobre funeral, esmolas, bens de pequeno valor e nomeação de testamenteiro conforme os arts. 1.881 a 1.885 do Código Civil.

    → Ler artigo
  • 30 out, 2026
    Modelo de Citação por Hora Certa

    Modelo de Citação por Hora Certa

    Modelo de Citação por Hora Certa para requerer a citação ficta do réu que se oculta dolosamente, com base nos artigos 252 a 254 do Código de Processo Civil.

    → Ler artigo

Nossos produtos

  • Plataforma Jurídico AI para advogados Para advogados e escritórios

    IA para geração de peças e acompanhamento de casos

    Redação de peças, pesquisa de jurisprudência, transcrição de audiências e acompanhamento de casos. Com o seu tom de voz e o seu timbrado.

    Conhecer o produto
  • Plataforma Jurídico AI para departamentos jurídicos Para departamentos jurídicos

    IA para gestão do contencioso trabalhista

    Análise de processos, identificação de riscos e automação das rotinas do jurídico interno.

    Conhecer o produto