Impugnação à Justiça Gratuita: quando cabe e como utilizar (modelo atualizado)

11 mar, 2026
A impugnação à justiça gratuita é o meio processual utilizado pela parte contrária para questionar a concessão do benefício da gratuidade da justiça.

Impugnação à Justiça Gratuita é um tema que exige atenção técnica do advogado que atua no contencioso, pois envolve diretamente o equilíbrio entre o acesso à Justiça e a correta aplicação dos encargos processuais

Nesse artigo vamos tratar sobre o conceito da impugnação, quando ela é cabível, qual o prazo, qual a base legal aplicável, quais documentos podem fundamentá-la e, ao final, apresentar um modelo prático para utilização nos autos. 

Fique até o final e entenda como estruturar uma impugnação à Justiça Gratuita consistente e estrategicamente fundamentada!



O que é Impugnação à Justiça Gratuita?

A impugnação à justiça gratuita é o meio processual utilizado pela parte contrária para questionar a concessão do benefício da gratuidade da justiça

Em outras palavras, trata-se da tentativa de demonstrar ao juízo que o beneficiário não preenche os requisitos legais para a concessão do benefício, seja porque possui condições financeiras de arcar com as custas e despesas processuais, seja porque houve alteração na sua situação econômica.

Contudo, é preciso cautela. A justiça gratuita não pode ser impugnada com base em meras suposições ou argumentos frágeis. 

A simples existência de um advogado particular, por exemplo, não é óbice automático à concessão do benefício. 

O profissional pode ter ajustado honorários para recebimento ao final da demanda, de forma parcelada ou em condições que não refletem, necessariamente, a capacidade econômica do cliente. Se não há acesso ao contrato de honorários, não se pode presumir como se dá essa remuneração.


Quando cabe a Impugnação à Justiça Gratuita?

A impugnação à justiça gratuita é cabível quando existirem indícios objetivos de capacidade financeira da parte beneficiária, capazes de afastar a presunção de hipossuficiência. 

Não se trata de discordância automática, mas de questionamento fundamentado.

De forma prática, ela pode ser apresentada quando houver:

  • Prova concreta de renda compatível com o pagamento das despesas processuais;
  • Demonstração de patrimônio relevante e disponível;
  • Elementos que indiquem alteração da situação econômica;
  • Comprovação de omissão ou má-fé.

Por outro lado, alguns argumentos costumam ser utilizados de forma precipitada e, na prática, são facilmente rebatidos. 

A existência de um veículo financiado, por exemplo, não comprova disponibilidade financeira imediata, sobretudo se o bem estiver alienado. 

Da mesma forma, a mera titularidade de um negócio não significa, por si só, alta lucratividade. É preciso verificar o faturamento real, despesas, contexto econômico e eventuais períodos de crise.

Nesse ponto, entra um aspecto estratégico: antecipar a defesa da parte contrária. Antes de protocolar a impugnação, vale refletir: os argumentos apresentados resistem a uma resposta técnica minimamente estruturada? 

Se a outra parte conseguir rebater com facilidade, demonstrando parcelamentos, financiamentos ou queda de renda em determinado período, a impugnação tende a ser rejeitada.

Confira o infográfico para visualizar melhor:

Quando cabe a Impugnação à Justiça Gratuita?


Prazo para impugnar à Justiça Gratuita

Ao tratar da impugnação à justiça gratuita, é indispensável observar o prazo processual adequado. 

Nos termos do Art. 100, Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), a parte contrária poderá impugnar a concessão do benefício no prazo de 15 dias, contados da intimação da decisão que o deferiu, ou ainda em preliminar de contestação.

Veja a redação legal:

“Art. 100, Lei nº 13.105/2015 – Deferido o pedido, a parte contrária poderá oferecer impugnação na contestação, na réplica, nas contrarrazões de recurso ou, nos casos de pedido superveniente ou formulado por terceiro, por meio de petição simples, a ser apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, nos autos do próprio processo, sem suspensão de seu curso.

Parágrafo único. Revogado o benefício, a parte arcará com as despesas processuais que tiver deixado de adiantar e pagará, em caso de má-fé, até o décuplo de seu valor a título de multa, que será revertida em benefício da Fazenda Pública estadual ou federal e poderá ser inscrita em dívida ativa.”

Perceba que o legislador foi expresso ao indicar que a impugnação deve ocorrer nos próprios autos e sem suspensão do processo, o que reforça a necessidade de atuação estratégica e tempestiva.

Qual base legal para a Impugnação à Justiça Gratuita?

A discussão acerca da gratuidade da justiça encontra fundamento principal no Art. 98 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), que dispõe:

Art. 98, Lei nº 13.105/2015 – “A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei”

No caso da pessoa natural, o requerimento pode ser acompanhado de declaração de hipossuficiência econômica, a qual gera presunção relativa (juris tantum) de veracidade. 

Isso significa que a declaração é suficiente para o deferimento inicial, mas admite prova em sentido contrário, abrindo espaço para a impugnação pela parte adversa.

Já no caso da pessoa jurídica, a jurisprudência consolidou entendimento no sentido de que não basta mera declaração. É necessária a demonstração efetiva da incapacidade financeira, geralmente por meio de documentos contábeis, como balanço ou balancete.

Nesse ponto, merece destaque a Súmula 481 do STJ, que dispõe:

Súmula 481 do STJ – Faz jus ao benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos que demonstrar sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais.”

No âmbito da justiça do trabalho, a exigência de comprovação concreta é ainda reforçada pela Súmula 463 do TST, cujo item I estabelece:

Súmula 463 do TST –  I – A partir de 26.06.2017, para a concessão da assistência judiciária gratuita à pessoa natural, basta a declaração de hipossuficiência econômica firmada pela parte ou por seu advogado, desde que munido de procuração com poderes específicos para esse fim art. 105 do CPC de 2015;”

E, quanto à pessoa jurídica, o item II da mesma súmula reforça a necessidade de comprovação da insuficiência de recursos.

Assim, a base legal para impugnar a gratuidade está estruturada em três pilares:

  • Art. 98 do CPC – que define quem pode requerer o benefício;
  • Art. 100 do CPC – que disciplina a forma e o prazo de impugnação;
  • Súmulas 481 do STJ e 463 do TST – que consolidam o entendimento jurisprudencial sobre a necessidade (ou não) de comprovação da hipossuficiência.

Confira o quadro resumo:

a base legal para impugnar a gratuidade

Documentos que podem fundamentar a impugnação à Justiça Gratuita

Considerando que a declaração de hipossuficiência gera presunção relativa, a impugnação eficaz depende de elementos probatórios consistentes

Entre os documentos que podem ser utilizados, destacamos:

  • Declarações de imposto de renda que indiquem renda ou patrimônio incompatível com a alegada insuficiência;
  • Demonstrativos contábeis, no caso de pessoa jurídica;
  • Certidões de registro de imóveis;
  • Informações sobre participação societária ou faturamento relevante.

Por outro lado, é preciso cautela: a simples existência de bens financiados, rendimentos variáveis ou atividade empresarial não significa, automaticamente, capacidade de arcar com custas e honorários. 

A análise deve considerar o contexto econômico real da parte, sob pena de a impugnação ser facilmente rebatida.



Modelo de Impugnação à Justiça Gratuita

Excelentíssimo(a) Senhor(a) Doutor(a) Juiz(a) de Direito da [nº] Vara Cível da Comarca de [nome da comarca] – [Estado]

Processo nº [número do processo]

[NOME DA PARTE IMPUGNANTE], já qualificado(a) nos autos da Ação de [tipo de ação], que move em face de [NOME DA PARTE QUE OBTEVE A GRATUIDADE], por intermédio de seu advogado que subscreve, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fundamento no art. 100 do Código de Processo Civil, apresentar a presente

IMPUGNAÇÃO À JUSTIÇA GRATUITA

pelos fatos e fundamentos a seguir expostos.

I – DA TEMPESTIVIDADE

Nos termos do art. 100 do CPC, a parte contrária poderá oferecer impugnação à gratuidade da justiça no prazo de 15 (quinze) dias, nos próprios autos e sem suspensão do processo.

Considerando que a intimação acerca da concessão do benefício ocorreu em [data], a presente manifestação é tempestiva, razão pela qual deve ser conhecida.

II – DA CONCESSÃO DA GRATUIDADE

A parte impugnada, [nome da pessoa que requereu a gratuidade], requereu e obteve o benefício da justiça gratuita sob o argumento de que se encontra em [situação alegada, ex.: insuficiência de recursos].

Todavia, conforme será demonstrado, há elementos objetivos nos autos que evidenciam capacidade financeira compatível com o custeio das despesas processuais, afastando a presunção legal aplicável.

É importante destacar que, embora o §3º do art. 99 do CPC estabeleça presunção de veracidade da alegação de insuficiência formulada por pessoa natural, tal presunção é relativa, podendo ser afastada diante de prova em sentido contrário.

III – DA CAPACIDADE FINANCEIRA DA PARTE IMPUGNADA

No presente caso, verifica-se que [nome da pessoa]:

  • Exerce a atividade de [profissão ou atividade exercida], com atuação regular no mercado;
  • É titular de [descrição de bens, ex.: imóvel localizado em…, veículo marca…, participação societária em…];
  • Percebe rendimentos médios mensais no valor aproximado de [valor ou descrição da renda];
  • Apresenta padrão de vida incompatível com a alegada hipossuficiência, conforme demonstram [documentos ou circunstâncias indicadas].

Diferentemente de meras suposições, os elementos acima indicados são concretos e documentados, revelando que a parte impugnada possui condições de arcar com as custas e despesas do processo sem prejuízo de seu sustento.

Ressalte-se que não se trata de impedir o acesso à Justiça, mas de preservar a finalidade do instituto, que é garantir o benefício apenas àqueles que realmente dele necessitam.

IV – DA NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO

Conforme dispõe o art. 99, §2º, do CPC, o magistrado poderá determinar à parte a comprovação do preenchimento dos pressupostos para a concessão da gratuidade.

No caso concreto, diante dos indícios apresentados, requer-se que seja oportunizado à parte impugnada comprovar:

  • Sua efetiva renda mensal atual;
  • A existência de eventuais financiamentos ou ônus sobre os bens declarados;
  • Seu comprometimento financeiro real.

A ausência de comprovação robusta deve conduzir à revogação do benefício.

V – DO PEDIDO

Diante do exposto, requer:

  1. O recebimento e processamento da presente impugnação;
  2. A intimação de [nome da parte impugnada] para comprovar o preenchimento dos requisitos legais da gratuidade;
  3. Ao final, a revogação do benefício da justiça gratuita, determinando-se o recolhimento das custas processuais, nos termos do art. 100, parágrafo único, do CPC.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos.

Termos em que,
Pede deferimento.

[Local], [data].

[Nome do advogado]

OAB/[Estado] [número]

Elabore peças processuais com a Jurídico AI

A prática forense exige técnica, domínio do Código de Processo Civil e conhecimento atualizado da base legal

Redigir uma impugnação à justiça gratuita, uma contestação, uma apelação ou qualquer outro recurso demanda atenção à fundamentação jurídica, à estrutura adequada e à estratégia processual.

Pensando nisso, a Jurídico AI reúne, em uma única plataforma, recursos para auxiliar advogados na elaboração de petições, contestações, apelações, recursos diversos e peças extrajudiciais

Se você busca mais produtividade sem abrir mão da qualidade técnica, vale conhecer a plataforma da Jurídico AI

Teste Grátis a melhor inteligência artificial para advogados!

JuridicoAI - Escreva peças processuais em minutos

Sobre o autor

Jamile Cruz

Jamile Cruz

Pedagoga e estudante de Direito na UNEB. Pós-graduada em Direito Civil e Direito Digital. Apaixonada por educação, tecnologia e produção de conteúdo jurídico. Pesquisadora na área de proteção de dados e inovação no Direito.

Redija peças de qualidade em poucos minutos com IA

Petições e peças ricas em qualidade

IA 100% treinada na legislação, doutrina e jurisprudência

Milhares de usuários já utilizam Juridico AI

Teste grátis

A IA já está transformando o Direito, e você?

Assine nossa newsletter e receba novidades antes de todo mundo.