Jurídico AI lança plataforma para gestão e inteligência do contencioso trabalhista para departamentos jurídicos.

Saiba mais
Direito Civil

Filtro de relevância do STJ: como preparar o recurso especial para a nova exigência

Carlos Silva Carlos Silva 05/08/2026 7 minutos
A nova lei exige a demonstração da relevância da questão federal em tópico específico do recurso especial. Veja como preparar o tópico exigido.
Filtro de relevância do STJ: como preparar o recurso especial para a nova exigência

A elaboração do recurso especial ganhará uma nova etapa. Além de demonstrar o cabimento, o prequestionamento e a violação à legislação federal, o advogado precisará explicar por que a questão discutida merece ser analisada pelo STJ.

A mudança foi regulamentada pela Lei nº 15.484/2026, publicada em 4 de agosto de 2026. O texto exige que a relevância da questão federal seja apresentada em tópico específico e fundamentado.

Não será suficiente afirmar que o tema possui “relevância jurídica” ou reproduzir o texto da lei. O recurso precisará mostrar que a controvérsia ultrapassa o interesse das partes e pode produzir consequências econômicas, políticas, sociais ou jurídicas mais amplas.

JuridicoAI - Escreva peças processuais em minutos

Quando o filtro de relevância começa a valer?

A nova exigência não alcança imediatamente todos os recursos especiais.

A Lei nº 15.484/2026 entra em vigor depois de decorridos 30 dias de sua publicação. Mesmo após esse prazo, o tópico de relevância será exigido somente nos recursos interpostos contra acórdãos publicados depois da entrada em vigor da lei.

A data do acórdão recorrido, portanto, será o primeiro ponto a ser conferido.

Recursos contra decisões publicadas anteriormente continuam submetidos ao regime anterior, ainda que sejam interpostos depois. Já os efeitos dos julgamentos realizados sob o regime de relevância poderão alcançar processos em andamento no STJ e nas instâncias de origem.

O que o advogado deverá demonstrar?

O filtro não exige que o processo seja importante apenas para o cliente. A questão federal discutida precisa apresentar uma repercussão que ultrapasse aquele caso.

Essa demonstração pode estar relacionada, por exemplo, à repetição da controvérsia em diversos processos, à divergência na interpretação de uma lei federal ou ao impacto da decisão sobre determinado setor, relação jurídica ou grupo social.

O ponto central é demonstrar por que o julgamento pode contribuir para a interpretação uniforme da legislação federal.

Uma fundamentação como esta será insuficiente:

A questão discutida possui relevância jurídica e social, pois ultrapassa os interesses das partes.

A afirmação utiliza os termos da lei, mas não mostra onde está a relevância. O recurso precisará identificar concretamente o alcance da controvérsia:

A controvérsia define a interpretação do artigo [indicar] da Lei nº [indicar], aplicado de maneira divergente pelos tribunais. A definição do tema poderá orientar outros processos que discutem [delimitar a questão], evitando soluções diferentes para situações equivalentes.

Não existe uma redação única. A demonstração dependerá da matéria discutida e dos efeitos que podem decorrer do julgamento.

Como estruturar o tópico de relevância?

O art. 1.035-A do CPC, incluído pela nova lei, determina que a demonstração seja feita em tópico específico e fundamentado.

Esse capítulo pode ser construído a partir de quatro pontos:

Parte do tópicoO que deve ficar claro
Questão federalQual interpretação de lei federal está sendo discutida
RepercussãoPor que a controvérsia não se limita ao interesse das partes
AlcanceQuais processos, relações ou setores podem ser afetados
Atuação do STJPor que a definição do tema contribui para uniformizar a legislação federal

A relevância não deve ser apresentada de maneira desconectada das razões recursais. O tópico precisa dialogar com a questão federal efetivamente impugnada.

Se o recurso discutir diferentes questões autônomas, o cuidado deve ser ainda maior. Até que a aplicação prática seja consolidada pelo STJ, a solução mais prudente é demonstrar a relevância de cada questão cuja análise se pretende obter, sem presumir que a importância de uma delas se estenda automaticamente às demais.

Quando a relevância é presumida?

Oart. 105, § 3º, da Constituição Federal presume a relevância nas seguintes situações:

  • ações penais;
  • ações de improbidade administrativa;
  • causas com valor superior a 500 salários mínimos;
  • ações que possam gerar inelegibilidade;
  • casos em que o acórdão recorrido contrarie jurisprudência dominante do STJ.

A presunção não deve ser tratada como autorização para ignorar o novo tópico. A medida mais segura é identificar expressamente a hipótese constitucional e demonstrar sua incidência no caso.

Se o fundamento for a contrariedade à jurisprudência dominante, por exemplo, o recurso deve indicar qual é o entendimento do STJ, apresentar fontes verificáveis e realizar o confronto com o acórdão recorrido. Apenas citar decisões sem mostrar a divergência pode não ser suficiente.

O que acontece se o tópico não for apresentado?

A lei estabelece duas consequências diferentes. Se o recurso não trouxer a demonstração em tópico específico e fundamentado, será inadmitido. Trata-se de uma falha na estrutura exigida para o recurso.

Outra situação ocorre quando o advogado apresenta o tópico, mas o STJ conclui que a questão não possui relevância. Nesse caso, o recurso somente poderá deixar de ser conhecido por esse motivo mediante manifestação de dois terços dos integrantes do órgão competente. A decisão será irrecorrível.

Por isso, a revisão não deve verificar apenas se o título foi incluído. Também precisa avaliar se o conteúdo realmente demonstra uma repercussão que ultrapassa o processo.

O reconhecimento da relevância afeta outros processos?

O novo regime não funciona apenas como uma barreira de acesso ao STJ. Os julgamentos também ganharão efeitos mais amplos.

Depois de reconhecer a relevância, o relator poderá suspender por seis meses os processos individuais ou coletivos que tratem da mesma questão em todo o país. Esse prazo poderá ser prorrogado uma vez, por mais seis meses, quando houver necessidade de audiência pública ou participação de terceiros.

Os acórdãos proferidos nesse regime também foram incluídos no art. 927 do CPC. Isso significa que deverão ser observados pelos juízes e tribunais em processos semelhantes.

A escolha e a delimitação da questão federal passam, assim, a influenciar não apenas a admissibilidade do recurso, mas também a extensão do precedente que poderá ser formado.

Como revisar o tópico antes da interposição?

Depois de elaborar o recurso, vale realizar uma leitura separada do capítulo de relevância.

O advogado pode verificar se o texto responde, de maneira objetiva, a três perguntas: qual é a questão federal, quem pode ser afetado além das partes e por que o STJ precisa uniformizar sua interpretação.

A inteligência artificial também pode apoiar essa conferência. Na Jurídico AI, após a elaboração da minuta e a revisão profissional, o advogado pode solicitar uma análise direcionada:

Analise o tópico de relevância deste recurso especial. Verifique se a questão federal foi delimitada, se o texto demonstra repercussão além do interesse das partes e se há conexão entre a relevância alegada e as razões recursais. Não invente dados, precedentes ou impactos não informados.

A análise pode revelar afirmações genéricas ou consequências mencionadas sem sustentação. A definição da relevância, porém, continua dependendo da leitura jurídica do caso e da estratégia adotada pelo advogado.

O novo tópico não pode ser apenas uma formalidade

Não bastará acrescentar um título e repetir que o caso possui relevância econômica, política, social ou jurídica. Será necessário delimitar a questão federal, demonstrar seu alcance e explicar por que a atuação do Tribunal é necessária.

Antes da interposição, a revisão deverá conferir três pontos: a data de publicação do acórdão recorrido, a existência do tópico específico e a consistência dos argumentos utilizados para demonstrar a relevância. É essa fundamentação, e não apenas o cumprimento formal da estrutura, que poderá definir se o recurso ultrapassará o novo filtro.

Leia também: Como revisar uma petição inicial de forma estratégica: 4 pontos antes do protocolo

JuridicoAI - Escreva peças processuais em minutos
Carlos Silva Carlos Silva 05/08/2026

FAQ

O que é a Jurídico AI e quem está por trás?

A Jurídico AI é uma plataforma de inteligência artificial para o contencioso trabalhista de médias e grandes empresas. A plataforma lê os processos da empresa, extrai dados estruturados e entrega dossiês de defesa, preparação de audiências e relatórios de passivo em tempo real, para que o departamento jurídico tenha visibilidade e controle sem depender de consolidação manual. Fundada em 2023 por Cesar Orlando (CEO), Marco Barcelos (CTO) e Pedro Tibau, advogado, a empresa reúne experiência em tecnologia e no mercado jurídico brasileiro. A plataforma está em operação desde janeiro de 2024, com investidores estratégicos e infraestrutura certificada Google Cloud Platform.

Quanto tempo leva para a equipe estar operando?

Quem vai usar a plataforma precisa de treinamento?

Com quais sistemas de RH existe integração?

Quais as vantagens de usar a Jurídico AI?

Notícias mais lidas

Direito Civil

  1. 1 Apresentação de memoriais: o que significa e qual o prazo? 26/08/26 → Ler artigo
  2. 2 7 erros comuns ao usar jurisprudência e como evitá-los 25/08/26 → Ler artigo
  3. 3 Execução e cumprimento de sentença: qual a diferença? 25/08/26 → Ler artigo
  4. 4 Como rescindir um contrato? 22/08/26 → Ler artigo
  5. 5 Multa contratual pode ser abusiva? 22/08/26 → Ler artigo
  6. 6 Quando o direito de arrependimento não se aplica? 21/08/26 → Ler artigo
  7. 7 Como antecipar na petição inicial possíveis pontos da contestação 21/08/26 → Ler artigo
  8. 8 Fraude bancária: entenda como funciona, principais golpes e como se proteger 19/08/26 → Ler artigo
  9. 9 Modelo de contrato de financiamento imobiliário [cláusulas essenciais] 19/08/26 → Ler artigo
  10. 10 Qual a diferença entre calúnia, difamação e injúria? 19/08/26 → Ler artigo

Direito Penal

  1. 1 Individualização da pena: como funciona e quais critérios devem ser analisados 26/08/26 → Ler artigo
  2. 2 Apresentação de memoriais: o que significa e qual o prazo? 26/08/26 → Ler artigo
  3. 3 Crime de Prevaricação no Código Penal: Tipos e Pena 23/08/26 → Ler artigo
  4. 4 Superlotação de presídios autoriza a progressão antecipada de regime? 13/08/26 → Ler artigo
  5. 5 Como calcular a progressão de regime? Veja os percentuais e a data-base 13/08/26 → Ler artigo
  6. 6 Progressão de Regime: Entenda os requisitos e como funciona 10/08/26 → Ler artigo
  7. 7 Quando o “olheiro” responde por tráfico de drogas? Entenda a decisão do STJ  04/08/26 → Ler artigo
  8. 8 Queixa-Crime: O Guia Definitivo para Potencializar sua Atuação Penal 28/07/26 → Ler artigo
  9. 9 Injúria: Definição legal, consequências e atuação jurídica 20/05/26 → Ler artigo
  10. 10 Lei 15.397/2026: Mudanças no Código Penal 06/05/26 → Ler artigo

Notícias sobre Direito

  1. 1 STJ cria dois circuitos para o filtro de relevância; entenda como funcionarão 25/08/26 → Ler artigo
  2. 2 STF valida restrição à recuperação judicial de devedor contumaz 25/08/26 → Ler artigo
  3. 3 CNJ muda regra do ITCMD no inventário extrajudicial: Entenda 20/08/26 → Ler artigo
  4. 4 STF amplia medidas protetivas da Lei Maria da Penha para casos sem vínculo doméstico 20/08/26 → Ler artigo
  5. 5 STF proíbe alíquota maior de IPTU com base na área do imóvel 18/08/26 → Ler artigo
  6. 6 STJ: envio de pornografia sem consentimento pode configurar importunação sexual 17/08/26 → Ler artigo
  7. 7 Casas Bahia: Entenda o pedido de recuperação judicial 17/08/26 → Ler artigo
  8. 8 Candidato inelegível pode registrar candidatura? Entenda o caso Pablo Marçal 17/08/26 → Ler artigo
  9. 9 OAB pede veto ao projeto que aumenta as custas na Justiça Federal 14/08/26 → Ler artigo
  10. 10 STJ fixa limites ao testemunho indireto na decisão de pronúncia 13/08/26 → Ler artigo

Jurídico

  1. 1 O print certo, no lugar errado, não convence ninguém: Onde e como posicionar provas em peças processuais? 25/08/26 → Ler artigo
  2. 2 IA evoluindo rápido e honorários pressionados: qual é o segredo para o sucesso financeiro num mundo que tenta ser “AI-first”? 25/08/26 → Ler artigo
  3. 3 Como deve ser monitoramento de processos num mundo com IA? 25/08/26 → Ler artigo
  4. 4 Despesas processuais: o que são, quais são e quem paga? 24/08/26 → Ler artigo
  5. 5 Preso pode votar? Entenda o que diz a lei! 23/08/26 → Ler artigo
  6. 6 Quando vale a pena recorrer de uma sentença? Entenda! 21/08/26 → Ler artigo
  7. 7 5 livros que todo advogado deveria ler 20/08/26 → Ler artigo
  8. 8 Quanto tempo tenho para entrar com uma ação na Justiça? Entenda os prazos 20/08/26 → Ler artigo
  9. 9 Como saber se fui citado em um processo? 18/08/26 → Ler artigo
  10. 10 Qual a diferença entre jurisprudência e súmula? 18/08/26 → Ler artigo

Recentemente publicadas

  • Entenda o que é sobrepartilha de bens, quando ela é necessária, como funciona, qual o rito, o valor da causa e o prazo para requerê-la.
    Direito de Família

    Sobrepartilha de bens: entenda como funciona e quando fazer

    Entenda o que é sobrepartilha de bens, quando ela é necessária, como funciona, qual o rito, o valor da causa e o prazo para requerê-la.

    → Ler artigo
    26 ago, 2026
  • Individualização da pena: como funciona e quais critérios devem ser analisados
    Direito Penal

    Individualização da pena: como funciona e quais critérios devem ser analisados

    A individualização da pena orienta a definição da sanção no caso concreto. Entenda suas etapas, a relação com a dosimetria e quais critérios exigem atenção na análise da pena.

    → Ler artigo
    26 ago, 2026
  • Apresentação de memoriais e prazo para o advogado
    Direito Civil

    Apresentação de memoriais: o que significa e qual o prazo?

    A apresentação de memoriais pode ocorrer em diferentes momentos do processo e não possui um prazo único. Entenda o conceito, quando são utilizados e quais cuidados observar.

    → Ler artigo
    26 ago, 2026
  • A empresa pode demitir durante as férias? Entenda as regras sobre dispensa, aviso-prévio, retorno ao trabalho e estabilidade após o período de descanso.
    Direito Trabalhista

    A empresa pode demitir durante as férias?

    A empresa pode demitir durante as férias? Entenda as regras sobre dispensa, aviso-prévio, retorno ao trabalho e estabilidade após o período de descanso.

    → Ler artigo
    25 ago, 2026
  • STJ cria dois circuitos para o filtro de relevância dos recursos especiais
    Notícias sobre Direito

    STJ cria dois circuitos para o filtro de relevância; entenda como funcionarão

    O STJ criou dois circuitos para o filtro de relevância: um destinado à solução do caso concreto e outro voltado à formação de teses jurídicas.

    → Ler artigo
    25 ago, 2026

Modelos Jurídicos

Veja mais
  • 26 ago, 2026
    Entenda como funciona a sobrepartilha extrajudicial e confira um modelo de escritura pública para regularizar bens descobertos após a partilha.

    Modelo de Sobrepartilha de Bens Extrajudicial [atualizado]

    Entenda como funciona a sobrepartilha extrajudicial e confira um modelo de escritura pública para regularizar bens descobertos após a partilha.

    → Ler artigo
  • 26 ago, 2026
    Confira um modelo de sobrepartilha judicial completo e editável, com fundamentação jurídica, legislação aplicável e estrutura para adaptar a petição ao caso concreto.

    Modelo de Sobrepartilha Judicial: veja como elaborar a petição

    Confira um modelo de sobrepartilha judicial completo e editável, com fundamentação jurídica, legislação aplicável e estrutura para adaptar a petição ao caso concreto.

    → Ler artigo
  • 25 ago, 2026
    Confira um modelo de Pedido de Desbloqueio de Valores Salariais para casos em que a constrição judicial atinge verba de natureza alimentar, com fundamentos no CPC e jurisprudência aplicável.

    Modelo de Pedido de Desbloqueio de Valores Salariais 2026

    Confira um modelo de Pedido de Desbloqueio de Valores Salariais para casos em que a constrição judicial atinge verba de natureza alimentar, com fundamentos no CPC e jurisprudência aplicável.

    → Ler artigo

Nossos produtos

  • Plataforma Jurídico AI para advogados Para advogados e escritórios

    IA para geração de peças e acompanhamento de casos

    Redação de peças, pesquisa de jurisprudência, transcrição de audiências e acompanhamento de casos. Com o seu tom de voz e o seu timbrado.

    Conhecer o produto
  • Plataforma Jurídico AI para departamentos jurídicos Para departamentos jurídicos

    IA para gestão do contencioso trabalhista

    Análise de processos, identificação de riscos e automação das rotinas do jurídico interno.

    Conhecer o produto