Execução de Alimentos pelo Código de Processo Civil
Os dispositivos do CPC, em seus artigos 528 a 533, detalham as ferramentas e os procedimentos disponíveis para que o credor possa receber a pensão alimentícia.
Seja por meio de intimação, prisão do devedor, penhora de bens ou desconto em folha de pagamento.
A seguir, abordamos esses mecanismos com mais profundidade.
Art. 528, CPC: Intimação pessoal do devedor e meios coercitivos
O CPC, em seu art. 528, trata da execução de alimentos com foco na intimação pessoal do devedor e nos meios coercitivos para garantir o pagamento da dívida alimentícia.
Vejamos o que diz o dispositivo:
Art. 528, CPC. No cumprimento de sentença que condene ao pagamento de prestação alimentícia ou de decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do exequente, mandará intimar o executado pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo.
O dispositivo destaca a celeridade no processo de execução, ao impor um prazo de apenas três dias para que o devedor quite o débito, comprove o pagamento ou apresente justificativa válida para a inadimplência.
Caso o devedor não tome nenhuma dessas providências dentro do prazo, o juiz poderá adotar uma série de medidas coercitivas para garantir o cumprimento da obrigação, conforme descrito nos parágrafos seguintes.
Art. 528, § 1º, CPC: Executado não efetuou o pagamento
Texto Legal:
Art. 528, § 1º, CPC. Caso o executado, no prazo referido no caput , não efetue o pagamento, não prove que o efetuou ou não apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o juiz mandará protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 517.
Comentário: Se o devedor não pagar, o juiz mandará protestar a decisão judicial, o que pode resultar em restrições de crédito para o executado, além de outras consequências negativas para sua vida financeira e profissional.
Art. 528, § 2º, CPC: Apenas impossibilidade absoluta pode justificar o inadimplemento
Texto Legal:
Art. 528, § 2º, CPC. Somente a comprovação de fato que gere a impossibilidade absoluta de pagar justificará o inadimplemento.
Comentário: Apenas a comprovação de impossibilidade absoluta de pagamento poderá justificar o inadimplemento da obrigação alimentar.
Este detalhe é importante porque, frequentemente, os devedores alegam dificuldades financeiras, mas a lei exige que a incapacidade de pagamento seja realmente insuperável e não uma mera dificuldade financeira comum.
Art. 528, § 3º, CPC: Prisão civil
Texto Legal:
Art. 528, § 3º, CPC. Se o executado não pagar ou se a justificativa apresentada não for aceita, o juiz, além de mandar protestar o pronunciamento judicial na forma do § 1º, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses.
Comentário: Se o devedor não pagar e a justificativa não for aceita, o juiz poderá decretar sua prisão civil por um período de 1 a 3 meses.
A prisão é uma das medidas mais drásticas, e ela é prevista exclusivamente para garantir o cumprimento das obrigações alimentares, considerando a importância desses recursos para a sobrevivência do alimentado.
Art. 528, § 4º, CPC. A prisão será cumprida em regime fechado, devendo o preso ficar separado dos presos comuns.
Comentário: A prisão deve ser cumprida em regime fechado, mas em cela separada de outros presos, o que reflete a natureza civil, e não penal, da prisão por dívida de alimentos.
Art. 528, § 5º, CPC: Pena não exime o executado do pagamento
Texto Legal:
Art. 528, § 5º, CPC. O cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das prestações vencidas e vincendas.
Comentário: A decretação da prisão não isenta o devedor do pagamento da dívida. Mesmo após cumprir a pena, o devedor ainda será obrigado a quitar os valores atrasados e as parcelas futuras.
Art. 528, § 6º, CPC: Prisão perde sua justificativa e deve ser suspensa se ocorrer o pagamento
Texto Legal:
Art. 528, § 6º, CPC. Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão.
Comentário: Esse dispositivo reforça a ideia de que a prisão civil não é uma punição por inadimplemento, mas sim um meio coercitivo para forçar o cumprimento da obrigação alimentar.
A prisão é considerada uma medida extrema, mas o seu objetivo não é manter o devedor encarcerado por um longo período, e sim garantir que ele pague a dívida.
Assim, tão logo o pagamento seja efetuado, a prisão perde sua justificativa e deve ser suspensa.
Art. 528, § 7º, CPC: Débito alimentar exigível na prisão
Texto Legal:
Art. 528, § 7º, CPC. O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende até as 3 (três) prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo.
Comentário: A prisão civil somente será decretada em relação às três últimas parcelas devidas antes do início da execução e as que vencerem no curso do processo.
Isso significa que o credor pode exigir o pagamento de até três meses de pensão vencida, além das parcelas que forem vencendo enquanto a ação de execução estiver em andamento.
Art. 528, § 8º, CPC: Cumprimento da sentença de forma imediata
Texto Legal:
Art. 528, § 8º, CPC. O exequente pode optar por promover o cumprimento da sentença ou decisão desde logo, nos termos do disposto neste Livro, Título II, Capítulo III, caso em que não será admissível a prisão do executado, e, recaindo a penhora em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo à impugnação não obsta a que o exequente levante mensalmente a importância da prestação.
Comentário: O parágrafo 8º do artigo 528 do CPC estabelece uma alternativa importante para o credor de alimentos (exequente).
Ele permite que o exequente opte por promover o cumprimento da sentença de forma imediata, utilizando os meios de execução patrimonial, como a penhora de bens, ao invés de buscar a prisão civil do devedor (executado).
Nesse contexto, se a penhora for realizada sobre dinheiro, o credor tem o direito de levantar o valor da prestação mensalmente, mesmo que o devedor apresente impugnação com efeito suspensivo.
Ou seja, ainda que o devedor conteste a execução, isso não impede que o credor receba as prestações alimentícias de forma contínua, assegurando o sustento da pessoa beneficiada.
Esse dispositivo proporciona uma alternativa eficiente para garantir o pagamento, especialmente em situações onde a prisão não seja o melhor meio de coercibilidade, equilibrando os direitos das partes envolvidas.
Art. 528, § 9º, CPC: Pagamento de prestação alimentícia no juízo de seu domicílio
Texto Legal:
Art. 528, § 9º, CPC. Além das opções previstas no art. 516 , parágrafo único, o exequente pode promover o cumprimento da sentença ou decisão que condena ao pagamento de prestação alimentícia no juízo de seu domicílio.
Comentário: O § 9º amplia as opções do exequente quanto à escolha do foro para promover a execução da sentença ou decisão que condena ao pagamento de alimentos.
Além das possibilidadesprevistas no art. 516, parágrafo único, que indicam a competência territorial, o exequente tem o direito de promover a execução no juízo de seu domicílio, ou seja, na cidade onde ele reside.
Essa disposição visa facilitar o acesso à justiça para o credor, uma vez que o cumprimento da sentença pode ser iniciado em um local que seja mais conveniente para ele, evitando deslocamentos desnecessários e simplificando o processo.
Isso é especialmente relevante em casos de alimentos, onde a celeridade e a praticidade no recebimento das prestações são fundamentais para garantir o sustento do alimentado.
O art. 529 CPC prevê outro mecanismo importante que permite o desconto da prestação alimentícia diretamente da folha de pagamento.
Isso quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa, ou empregado sujeito à legislação do trabalho. Veja:
Art. 529, CPC. Quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa ou empregado sujeito à legislação do trabalho, o exequente poderá requerer o desconto em folha de pagamento da importância da prestação alimentícia.
O objetivo desse dispositivo é garantir que, independentemente da vontade do devedor, a obrigação alimentar seja satisfeita regularmente.
Art. 529, § 1º, CPC: O Juiz irá informar o valor a ser descontado, sob pena de crime de desobediência
Texto Legal:
Art. 529, § 1º, CPC. Ao proferir a decisão, o juiz oficiará à autoridade, à empresa ou ao empregador, determinando, sob pena de crime de desobediência, o desconto a partir da primeira remuneração posterior do executado, a contar do protocolo do ofício.
Comentário: Após o juiz determinar o desconto, será enviado um ofício à autoridade responsável (empresa, empregador, órgão público etc.), que ficará obrigada a realizar o desconto a partir da primeira remuneração após a decisão.
O não cumprimento dessa ordem pode caracterizar crime de desobediência por parte do empregador.
Art. 529, § 2º, CPC: O ofício deve conter todas as informações necessárias
Texto Legal:
Art. 529, § 2º, CPC. O ofício conterá o nome e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do exequente e do executado, a importância a ser descontada mensalmente, o tempo de sua duração e a conta na qual deve ser feito o depósito.
Comentário: O ofício deve conter todas as informações necessárias para o desconto ser feito corretamente, incluindo o nome e o CPF das partes envolvidas, o valor da prestação alimentícia e a conta bancária na qual o dinheiro deve ser depositado.
Art. 529, § 3º, CPC: O desconto pode recair sobre os rendimentos e rendas de forma parcelada
Texto Legal:
Art. 529, § 3º, CPC. Sem prejuízo do pagamento dos alimentos vincendos, o débito objeto de execução pode ser descontado dos rendimentos ou rendas do executado, de forma parcelada, nos termos do caput deste artigo, contanto que, somado à parcela devida, não ultrapasse cinquenta por cento de seus ganhos líquidos.
Comentário: Em casos de débitos acumulados, o juiz poderá autorizar o desconto parcelado, desde que o valor total (somando as prestações atrasadas e as futuras) não ultrapasse 50% dos rendimentos líquidos do devedor.
Isso busca assegurar o equilíbrio entre a capacidade financeira do executado e a necessidade do alimentado.
Art. 530, CPC: Cumprimento da obrigação pela penhora de bens
Texto Legal:
Art. 530, CPC. Não cumprida a obrigação, observar-se-á o disposto nos arts. 831 e seguintes.
Quando o devedor não possui salário fixo ou não há possibilidade de realizar o desconto em folha, a execução de alimentos pode se dar por meio da penhora de bens.
O art. 530 do CPC prevê que, caso a obrigação não seja cumprida, o processo de execução poderá seguir pelas regras gerais de penhora de bens (conforme o Livro II, Título II, Capítulo IV do CPC).
Essa possibilidade permite ao credor garantir o pagamento da pensão alimentícia por meio da apreensão e venda de bens do devedor, como imóveis, veículos ou até mesmo valores em contas bancárias.
A penhora é uma medida extremamente eficaz quando o devedor possui patrimônio, mas se recusa a pagar espontaneamente.
Art. 531, CPC: Execução de alimentos provisórios e definitivos
Texto Legal:
Art. 531, CPC. O disposto neste Capítulo aplica-se aos alimentos definitivos ou provisórios.
§ 1º A execução dos alimentos provisórios, bem como a dos alimentos fixados em sentença ainda não transitada em julgado, se processa em autos apartados.
§ 2º O cumprimento definitivo da obrigação de prestar alimentos será processado nos mesmos autos em que tenha sido proferida a sentença.
O art. 531 CPC e seus parágrafos esclarecem que as regras para a execução de alimentosaplicam-se tanto aos alimentos provisórios (fixados em decisões liminares) quanto aos definitivos (estabelecidos em sentença transitada em julgado).
Aexecução de alimentos provisórios éprocessada em autos apartados e com maior celeridade, considerando a urgência da prestação alimentar.
Do mesmo modo, a execução dos alimentos fixados em sentença ainda não transitada em julgada também seguem em autos apartados.
Contudo, os alimentos definitivos podem ser executados no próprio processo principal.
Art. 532, CP: Conduta procrastinatória do executado e o crime de abandono material
Texto Legal:
Art. 532, CPC. Verificada a conduta procrastinatória do executado, o juiz deverá, se for o caso, dar ciência ao Ministério Público dos indícios da prática do crime de abandono material.
Comentário: Quando ojuiz verificar que o devedor está agindo de forma procrastinatória, ou seja, usando manobras para atrasar o processo de execução de alimentos intencionalmente, ele deve comunicar o Ministério Público sobre os indícios de abandono material.
O crime de abandono material ocorre quando alguém, legalmente responsável por prover alimentos, deixa de prestar o necessário para o sustento da pessoa que depende dele, como filhos menores ou cônjuges em determinadas circunstâncias.
A comunicação ao Ministério Público é importante porque, além de se tratar de um inadimplemento civil (não pagar a pensão alimentícia), a conduta pode ser caracterizada como crime, com implicações penais para o devedor.
O objetivo desse dispositivo é garantir maior proteção ao credor de alimentos, evitando que o devedor utilize subterfúgios processuais para atrasar indefinidamente o pagamento das prestações alimentícias.
Isso ao mesmo tempo que responsabiliza o executado por possíveis crimes relacionados ao abandono material.
Assim, o artigo funciona como um mecanismo de coerção adicional, buscando evitar que o devedor prejudique o processo de execução e proteja o direito de quem depende financeiramente do pagamento da pensão.
Art. 533, CPC: Execução de prestações alimentícias decorrentes de indenização por ato ilícito
Texto Legal:
Art. 533 CPC. Quando a indenização por ato ilícito incluir prestação de alimentos, caberá ao executado, a requerimento do exequente, constituir capital cuja renda assegure o pagamento do valor mensal da pensão.
Comentário sobre o Caput: O dispositivo determina que, quando uma indenização por ato ilícito incluir a obrigação de pagar alimentos, o devedor deve constituir um capital que gere renda suficiente para assegurar o pagamento regular da pensão.
Isso ocorre mediante requerimento do credor (exequente). O objetivo aqui é garantir a continuidade do pagamento, mesmo em situações futuras de inadimplência.
Art. 533, § 1º, CPC: Imóveis, direitos reais, títulos públicos ou aplicações financeiras vinculadas a prestação alimentícia são inalienáveis e impenhoráveis
Texto Legal:
Art. 533, § 1º, CPC. O capital a que se refere o caput , representado por imóveis ou por direitos reais sobre imóveis suscetíveis de alienação, títulos da dívida pública ou aplicações financeiras em banco oficial, será inalienável e impenhorável enquanto durar a obrigação do executado, além de constituir-se em patrimônio de afetação.
Comentário: O capital a ser constituído pode ser representado por imóveis, direitos reais sobre imóveis, títulos da dívida pública ou aplicações financeiras.
Esses bens são declarados inalienáveis e impenhoráveis enquanto durar a obrigação de prestar alimentos, ou seja, não podem ser vendidos ou penhorados.
Além disso, o capital se torna patrimônio de afetação, ficando vinculado diretamente ao pagamento da pensão alimentícia, como forma de garantir que o credor não será prejudicado.
Art. 533, § 2º, CPC: Capital por outras formas de garantia
Texto Legal:
Art. 533, § 2º, CPC. O juiz poderá substituir a constituição do capital pela inclusão do exequente em folha de pagamento de pessoa jurídica de notória capacidade econômica ou, a requerimento do executado, por fiança bancária ou garantia real, em valor a ser arbitrado de imediato pelo juiz.
Comentário: O juiz pode, a seu critério, substituir essa constituição de capital por outras formas de garantia.
Uma delas é a inclusão do credor em folha de pagamento de uma empresa de notória capacidade econômica, assegurando o recebimento regular.
Outra opção, a pedido do devedor, é a substituição por fiança bancária ou garantia real, como imóveis ou bens de valor, cujo montante será definido imediatamente pelo juiz.
Art. 533, § 3º, CPC: Redução ou aumento do valor da prestação alimentícia
Texto Legal:
Art. 533, § 3º, CPC. Se sobrevier modificação nas condições econômicas, poderá a parte requerer, conforme as circunstâncias, redução ou aumento da prestação.
Comentário: O parágrafo traz uma importante flexibilidade ao determinar que, caso haja mudança nas condições econômicas do devedor ou do credor, qualquer uma das partes pode solicitar aojuiz a redução ou aumento do valor da prestação alimentícia.
Isso permite ajustes que garantam a justiça e a adequação ao momento econômico das partes envolvidas.
Art. 533, § 4º, CPC: A prestação alimentícia terá como base o salário-mínimo
Texto Legal:
Art. 533, § 4º, CPC. A prestação alimentícia poderá ser fixada tomando por base o salário-mínimo.
Comentário: Este parágrafo estabelece que a prestação alimentícia pode ser calculada com base no salário-mínimo.
Isso é comum em situações em que as partes não têm uma fonte de renda claramente definida, utilizando-se o salário-mínimo como referência.
Art. 533, § 5º, CPC: Encerramento da Prestação Alimentícia
Texto Legal:
Art. 533, § 5º, CPC. Finda a obrigação de prestar alimentos, o juiz mandará liberar o capital, cessar o desconto em folha ou cancelar as garantias prestadas.
Comentário: Quando a obrigação de prestar alimentos chega ao fim (seja porque o alimentado atingiu a maioridade ou por qualquer outro motivo que encerre a necessidade de pensão), o juiz deve liberar o capital constituído, encerrar o desconto em folha de pagamento ou cancelar as garantias prestadas.
Isso encerra a obrigação do devedor, liberando seus bens e garantias.
Prática Forense do Advogado(a) na Execução de Alimentos
A atuação do advogado(a) na execução de alimentos é fundamental para assegurar que o direito à prestação alimentar seja cumprido de maneira eficaz e em conformidade com a legislação.
Dessa forma, a prática forense neste campo exige uma série de habilidades, desde o domínio técnico das normas jurídicas até a capacidade de conduzir o processo de forma estratégica para proteger os interesses do cliente. Confira a seguir.
Início da Execução de Alimentos
O advogado(a) deve avaliar a situação detalhadamente para identificar a melhor estratégia para o cumprimento da obrigação alimentar.
Dessa forma, o advogado(a) deve orientar o cliente sobre as possibilidades de execução, seja por meio de penhora de bens, descontos em folha de pagamento ou, em casos extremos, pedido de prisão civil do devedor.
A escolha entre esses mecanismos depende da análise das condições financeiras do devedor e da urgência em garantir o pagamento.
A Intimação do Devedor e o Cumprimento de Prazos
O advogado, ao ingressar com a execução, deve solicitar ao juiz a intimação pessoal do devedor, conforme previsto no art. 528 do CPC, para que este pague a dívida em 3 dias ou justifique sua impossibilidade.
Durante esse período, o advogado precisa estar atento ao andamento processual e pronto para reagir rapidamente em caso de impugnações ou justificativas por parte do executado.
Imprevisões e Recursos
A prática forense também requer a preparação para imprevistos. O devedor pode apresentar justificativas que precisam ser analisadas e contestadas adequadamente.
Além disso, recursos e medidas suspensivas podem ser interpostos, exigindo do advogado(a) uma postura proativa na defesa dos interesses do cliente.
A experiência em lidar com recursos de execução de alimentos é um diferencial, na prática forense, garantindo que o processo não se prolongue indevidamente.
Revisão e Exoneração de Alimentos
Nesse cenário, o advogado(a) também deve estar preparado para situações de revisão ou exoneração da obrigação alimentar, conforme alterações nas circunstâncias de vida do credor ou do devedor.
A prática forense, nesse aspecto, requer sensibilidade para verificar quando há fundamento para modificar os valores ou extinguir a obrigação, de modo a evitar abusos ou injustiças.
Medidas de Garantia de Pagamento
Por fim, caso o devedor não cumpra a obrigação dentro do prazo, o advogado pode pleitearmedidas mais rígidas, como a penhora de bens (art. 530, CPC) ou o desconto em folha de pagamento (art. 529 do CPC).
Essas medidas exigem habilidade técnica para identificar o patrimônio do devedor ou garantir que o desconto seja realizado de maneira eficaz se o devedor for funcionário público, militar ou empregado formal.
Execução de Alimentos pelo Rito da Penhora: Modelo de Cumprimento de Sentença em Ação de Alimentos
A penhora de bens é uma medida judicial utilizada quando o devedor não cumpre voluntariamente com a obrigação alimentícia fixada em sentença.
Assim, o §8° do art. 528 do CPC, ao facultar a promoção do cumprimento de sentença desde logo, ressalta a possibilidade da penhora de bens, como imóveis, veículos ou valores em contas bancárias, para assegurar o pagamento dos alimentos devidos.
Como previsto no art.528, § 8º CPC:
Art. 528. No cumprimento de sentença que condene ao pagamento de prestação alimentícia ou de decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do exequente, mandará intimar o executado pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo.
§ 8º O exequente pode optar por promover o cumprimento da sentença ou decisão desde logo, nos termos do disposto neste Livro, Título II, Capítulo III, caso em que não será admissível a prisão do executado, e, recaindo a penhora em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo à impugnação não obsta a que o exequente levante mensalmente a importância da prestação.
Pronto para entrar com uma Execução de Alimentos?
Com base nos artigos 1.694 a 1.710 do Código Civil, você pode iniciar o procedimento de execução de alimentos para garantir que o devedor cumpra com sua obrigação alimentar.
Esses dispositivos legais fornecem o suporte necessário para solicitar a execução de alimentos, em casos de inadimplemento, a penhora de bens pode ser uma medida efetiva para assegurar o pagamento dos alimentos devidos.
A Importância da Execução de Alimentos para a Garantia do Direito Familiar
A execução de alimentos é fundamental para garantir que a obrigação alimentar seja cumprida, proporcionando segurança financeira àqueles que dependem dela.
O CPC prevê diferentes mecanismos para assegurar esse direito, como penhora de bens, desconto em folha e, em casos extremos, a prisão civil.
Esses instrumentos equilibram a necessidade do credor e a capacidade do devedor, mantendo a dignidade dos envolvidos.
O domínio das normas processuais é essencial para advogados que atuam nessa área, permitindo uma atuação rápida e eficiente na defesa dos direitos dos credores de alimentos.
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