Esbulho Possessório: Aspectos Jurídicos e Estratégias para Advogados

28 mar, 2025
Momento de análise sobre esbulho possessório

O esbulho possessório ocorre quando alguém é indevidamente privado da posse de um bem, sem autorização ou respaldo legal. 

Trata-se de uma violação direta ao direito possessório, caracterizada pela perda injusta da posse, seja por violência, clandestinidade ou precariedade

Nesse artigo, traremos uma análise detalhada sobre os aspectos jurídicos do esbulho possessório, abordando desde suas características até as estratégias práticas para a defesa da posse. 

Discutiremos os tipos de esbulho, os mecanismos legais disponíveis, como a ação de reintegração de posse, e as principais provas necessárias para comprovar a violação. 

Além disso, apresentaremos orientações específicas para advogados sobre como atuar nesses casos, garantindo a proteção eficaz dos direitos de seus clientes.

Características do esbulho possessório

O esbulho possessório ocorre quando alguém é indevidamente privado da posse de um bem, sem autorização ou respaldo legal.

Trata-se de uma violação direta ao direito possessório, podendo ser caracterizado por três elementos: 

  1. Posse legítima anterior;
  2. Perda da posse de maneira injusta;
  3. Tempo da ocorrência do esbulho

Conforme o artigo 1.210 do Código Civil:

“Art. 1.210, CC- O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.”

Ou seja, aquele que sofre o esbulho pode buscar amparo judicial para recuperar o bem indevidamente tomado.

Para a configuração do esbulho, é necessário que se identifique um dos seguintes meios de privação da posse:

  • Violência: ocorre quando há uso de força física ou coação para retirar o possuidor legítimo do bem.
  • Clandestinidade: caracteriza-se pela tomada da posse de maneira oculta, sem que o possuidor legítimo perceba a ação de imediato.
  • Precariedade: acontece quando alguém que detinha o bem de forma legítima se recusa a devolvê-lo ao verdadeiro possuidor após o término do direito de uso.

Confira também nosso artigo sobre: Usucapião Extraordinária: Requisitos, procedimentos e dicas práticas

O que diz a lei sobre o esbulho possessório?

A legislação brasileira oferece mecanismos para proteger o possuidor e garantir a restituição da posse perdida, com base no Código Civil, no Código de Processo Civil e no Código Penal

Um dos primeiros pontos sinalizados pela legislação ao tratar do esbulho é a reintegração possessória

Para ingressar com uma ação de reintegração de posse, é necessário comprovar alguns requisitos legais, conforme estabelece o artigo 561 do Código de Processo Civil: 

“Art. 561, CPC- Incumbe ao autor provar:

I – a sua posse;

II – a turbação ou o esbulho praticado pelo réu;

III – a data da turbação ou do esbulho;

IV – a continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção, ou a perda da posse, na ação de reintegração.”

A ação de reintegração de posse é o instrumento legal adequado para recuperar a posse perdida em decorrência de esbulho. 

Essa ação está respaldada nos arts. 560 a 566 do Código de Processo Civil, que garantem ao possuidor o direito de ser restituído ao bem do qual foi injustamente privado. O artigo 560 do CPC estabelece: 

“Art. 560, CPC- O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado em caso de esbulho.”

Além disso, o artigo 1.210 do Código Civil reforça essa proteção, afirmando

“Art. 1.210, CC- O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.”

Essas disposições legais asseguram ao possuidor três ações possessórias principais: 

  1. Ação de manutenção de posse: quando há turbação (perturbação do direito de posse);
  2. Ação de reintegração de posse: quando há esbulho (perda da posse);
  3. Ação de interdito proibitório: quando há ameaça iminente de perda da posse.

O Código Penal, em seu artigo 161, §1º, inciso II, tipifica como crime a invasão de imóvel com o objetivo de esbulho possessório. Além disso, o §2º do mesmo artigo prevê que, caso o agente faça uso de violência, estará sujeito à pena correspondente

Já o §3º determina que, se a invasão ocorrer em propriedade particular sem emprego de violência, a ação penal será promovida apenas mediante queixa. Veja o dispositivo na íntegra:

Art. 161, CP– Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória, para apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia:

Pena – detenção, de um a seis meses, e multa.

§ 1º – Na mesma pena incorre quem:

Usurpação de águas

I – desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem, águas alheias;

Esbulho possessório

II – invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou mediante concurso de mais de duas pessoas, terreno ou edifício alheio, para o fim de esbulho possessório.

§ 2º – Se o agente usa de violência, incorre também na pena a esta cominada.

§ 3º – Se a propriedade é particular, e não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.”

Dessa forma, o crime de esbulho possessório é tipificado quando há invasão de um imóvel visando tomar a posse de forma ilegítima fazendo-se uso de violência ou grave ameaça. 

Análise de ação sobre esbulho possessório

Turbação, esbulho e ameaça: Diferenças e impactos 

A turbação, o esbulho e a ameaça são situações que afetam o direito de posse, cada uma com características e impactos distintos, mas todas protegidas pelo ordenamento jurídico brasileiro. 

Embora estejam relacionadas, é importante compreender as diferenças entre elas para adotar as medidas legais adequadas em cada caso.

Sobre o esbulho, como o conceito já foi explorado anteriormente, cumpre apenas lembrar que ele se caracteriza pela perda total e injusta da posse de um bem..

Já a turbação se diferencia por ser uma interferência parcial na posse, sem que haja a perda total do bem. Nesse caso, o possuidor ainda mantém a posse, mas sofre perturbações que dificultam ou limitam seu uso. 

Por fim, a ameaça é uma situação que muitas vezes antecede o esbulho ou a turbação. Ela ocorre quando há a intenção declarada de tomar ou perturbar a posse de um bem, mas o ato ainda não foi concretizado. 

Qual relação entre esbulho possessório e ação de reintegração de posse?

O esbulho possessório e a ação de reintegração de posse estão intrinsecamente ligados, pois esta a ação judicial é o principal instrumento legal para remediar a violação causada pelo esbulho. 

A relação entre os dois conceitos pode ser entendida a partir do momento em que o esbulho é configurado

Quando alguém perde a posse de um imóvel ou bem móvel de forma injusta, a legislação brasileira, por meio do artigo 1.210 do Código Civil, garante ao possuidor o direito de ser reintegrado à posse. 

Esse dispositivo legal assegura que, em caso de esbulho, o possuidor possa recorrer ao Poder Judiciário para recuperar o bem

A ação de reintegração de posse, portanto, é o caminho legal para reverter os efeitos do esbulho e restabelecer a situação anterior à violação.

Tipos de Esbulho Possessório

O esbulho possessório pode se manifestar de diferentes formas, todas caracterizadas pela privação injusta da posse de um bem

Essas modalidades variam conforme as circunstâncias e os atos praticados pelo agente que comete o esbulho. Entre os principais tipos, destacam-se:

  • Invasão de propriedade: Ocorre quando uma pessoa adentra um imóvel ou terreno sem autorização do possuidor legítimo, tomando para si o controle do bem;
  • Ocupação indevida de imóvel: Nesse caso, o esbulho acontece quando alguém passa a utilizar um imóvel sem qualquer direito ou justificativa legal;
  • Obstrução de passagem: Esse tipo de esbulho ocorre quando o acesso a um imóvel ou propriedade é bloqueado, impedindo que o possuidor ou outras pessoas autorizadas circulem livremente;
  • Desapropriação indireta: Acontece quando o poder público ou um particular toma posse de um bem sem seguir os trâmites legais necessários, como o processo de desapropriação formal;
  • Recusa na devolução de imóvel: Esse tipo de esbulho é comum em situações de locação ou empréstimo, quando o locatário ou a pessoa que recebeu o imóvel se recusa a devolvê-lo ao possuidor legítimo após o término do contrato ou do prazo combinado.

Cada uma dessas modalidades de esbulho possessório representa uma violação ao direito de posse, garantido pelo ordenamento jurídico brasileiro. 

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Comprovação do esbulho possessório: estratégias e provas aceitas em juízo

Para comprovar o esbulho possessório, é fundamental reunir elementos que demonstrem a posse legítima anterior e a perda injusta dessa posse. 

A legislação brasileira permite a utilização de diversos meios de prova, que devem ser apresentados de forma clara e convincente para embasar a ação judicial. 

Entre as principais estratégias e provas aceitas em juízo, destacam-se:

  • Documentos comprobatórios: A posse anterior pode ser comprovada por meio de documentos que atestem a relação do possuidor com o bem. Entre eles, estão: contratos de compra e venda, escrituras públicas, recibos de pagamento, carnês do IPTU em nome do possuidor e contas de serviços públicos, como água e luz.;
  • Depoimentos de testemunhas: O relato de pessoas que presenciaram a posse anterior e a ocorrência do esbulho pode ser decisivo. Vizinhos, funcionários ou qualquer indivíduo que tenha conhecimento da situação pode ser ouvido em juízo;
  • Registro de boletim de ocorrência: Em casos de invasão ou expulsão violenta, o registro de um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima é uma prova relevante;
  • Laudos periciais e registros fotográficos: Em situações em que há danos ao imóvel ou alterações na posse, pode ser solicitada uma perícia técnica para avaliar as mudanças ocorridas;
  • Provas adicionais: Dependendo do caso, outros elementos podem ser utilizados, como correspondências enviadas ao endereço do imóvel  e até mesmo gravações que comprovem a posse anterior e a ocorrência do esbulho.

A apresentação dessas provas é essencial para o sucesso da ação de reintegração de posse, pois permite ao juiz formar uma convicção clara sobre a legitimidade da posse anterior e a ocorrência do esbulho. 

A estratégia de comprovação deve ser cuidadosamente planejada, reunindo o maior número possível de elementos que sustentem a narrativa do autor e garantam a recuperação do bem de forma justa e eficaz.

Qual relação entre esbulho possessório e ação de reintegração de posse?

O esbulho possessório e a ação de reintegração de posse estão intrinsecamente ligados, pois esta  ação judicial é o principal instrumento legal para remediar a violação causada pelo esbulho. 

A relação entre os dois conceitos pode ser entendida a partir do momento em que o esbulho é configurado

Quando alguém perde a posse de um imóvel ou bem móvel de forma injusta, a legislação brasileira, por meio do artigo 1.210 do Código Civil, garante ao possuidor o direito de ser reintegrado à posse. 

Esse dispositivo legal assegura que, em caso de esbulho, o possuidor possa recorrer ao Poder Judiciário para recuperar o bem

A ação de reintegração de posse, portanto, é o caminho legal para reverter os efeitos do esbulho e restabelecer a situação anterior à violação.

Estratégias e atuação para advogados em caso de esbulho possessório

A atuação do advogado em casos de esbulho possessório deve ser focada em garantir a restituição da posse de forma ágil e eficiente, sempre com base nas disposições legais do Código Civil e do Código de Processo Civil. 

O primeiro passo é avaliar a legitimidade da posse do cliente e identificar as circunstâncias do esbulho, seja ele caracterizado por violência, clandestinidade ou precariedade. 

A coleta de provas robustas é essencial, incluindo documentos que comprovem a posse anterior (contratos, escrituras, contas de serviços públicos), depoimentos de testemunhas, registros fotográficos e, em casos de violência, o boletim de ocorrência.

Com base no artigo 560 do CPC, o advogado deve ingressar com a ação de reintegração de posse, demonstrando a posse anterior e a perda injusta da posse

Em situações de urgência, como risco de danos irreparáveis ao bem, é possível solicitar uma tutela antecipada (liminar) para a retomada imediata da posse. 

Além disso, em casos de ameaça iminente de esbulho ou turbação, o interdito proibitório, previsto no artigo 1.210 do Código Civil, pode ser utilizado para prevenir futuras violações.

Em situações que envolvem violência ou grave ameaça, o advogado deve orientar o cliente a registrar um boletim de ocorrência e, se necessário, ingressar com uma ação penal com base no artigo 161 do Código Penal. 

Para casos de propriedade particular sem violência, a ação penal só pode ser promovida mediante queixa

A busca por uma solução amigável também é uma estratégia válida, especialmente em casos de ocupação indevida ou recusa na devolução de imóvel, evitando um processo judicial prolongado.

A orientação ao cliente é um aspecto fundamental da atuação do advogado. É importante explicar de forma clara os direitos do cliente, os procedimentos legais e as etapas do processo, garantindo que ele esteja sempre informado e confiante na estratégia adotada. 

Ao combinar uma análise detalhada do caso, a coleta de provas sólidas e a aplicação das ferramentas legais adequadas, o advogado pode garantir a proteção eficaz dos direitos possessórios de seu cliente. 

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Perguntas frequentes

O que é esbulho possessório?

O esbulho possessório ocorre quando alguém é privado da posse de um bem de forma injusta, sem autorização ou respaldo legal, seja por violência, clandestinidade ou precariedade.

Quais são os tipos de esbulho possessório?
Os principais tipos incluem invasão de propriedade, ocupação indevida de imóvel, obstrução de passagem, desapropriação indireta e recusa na devolução de imóvel após o término do direito de uso.
Como comprovar o esbulho possessório?
Para comprovar o esbulho, é recomendável reunir  documentos que comprovem a posse anterior, como contratos, escrituras, contas de serviços públicos. Além disso, outros elementos, como depoimentos de testemunhas, boletim de ocorrência (em casos de violência), laudos periciais e registros fotográficos também podem fortalecer a comprovação dos fatos.
Qual é a ação judicial adequada para recuperar a posse perdida?
A ação de reintegração de posse, prevista nos arts. 560 a 566 do Código de Processo Civil, é o instrumento legal para recuperar a posse perdida em decorrência de esbulho.
O que fazer em casos de invasão violenta?

Em casos de invasão violenta, o primeiro passo é registrar um boletim de ocorrência. Em seguida, o advogado pode solicitar uma tutela antecipada (liminar) para a retomada imediata da posse e, se necessário, ingressar com uma ação penal.

Qual a diferença entre esbulho, turbação e ameaça?
  • Esbulho: Perda total da posse de forma injusta.
  • Turbação: Perturbação parcial da posse, sem perda total.
  • Ameaça: Intenção declarada de tomar ou perturbar a posse, sem concretização do ato.
O esbulho possessório é crime?

Sim, o artigo 161, §1°, II do Código Penal tipifica o esbulho possessório como crime quando há violência ou grave ameaça. Nesses casos, o responsável pode ser punido com pena de detenção de um mês a seis meses e multa.

Posso resolver o esbulho de forma amigável?

Sim, sempre que possível, é recomendável buscar uma solução amigável, negociando com a parte adversária para evitar um processo judicial prolongado.

O que é interdito proibitório?
O interdito proibitório é uma ação judicial utilizada para prevenir futuras violações à posse, como ameaças de esbulho ou turbação, com previsão no art. 567 do CPC.
Qual o papel do advogado em casos de esbulho possessório?

O advogado é responsável por orientar o cliente, reunir provas, ingressar com a ação judicial adequada e garantir a proteção dos direitos possessórios, seja por meio de ações possessórias ou até penais. 

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Sobre o autor

Jamile Cruz

Jamile Cruz

Pedagoga e estudante de Direito na UNEB. Pós-graduada em Direito Civil e Direito Digital. Apaixonada por educação, tecnologia e produção de conteúdo jurídico. Pesquisadora na área de proteção de dados e inovação no Direito.

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