A globalização e o comércio internacional trouxeram consigo a necessidade de regulamentações específicas para facilitar a circulação de mercadorias entre países.
Dentro desse contexto, os Ex Tarifários surgem como instrumentos importantes para reduzir ou eliminar tarifas alfandegárias em determinadas situações, como a importação de bens essenciais para setores estratégicos ou para cumprir acordos internacionais.
No entanto, a utilização extemporânea desses benefícios pode gerar uma série de consequências negativas, especialmente nas esferas aduaneira, fiscal, tributária e penal. Este artigo busca explorar essas consequências, oferecendo uma visão abrangente sobre o tema.
Antes de entrar especificamente no assunto, que nos propomos a analisar neste trabalho, peço vênia ao leitor para somente “pincelar” um aspecto sobre o Imposto de Importação, imposto esse “atingido” pela criação de cada Ex Tarifário. Logo após esse breve comentário, retornarei ao tema deste trabalho.
Trata-se da Parafiscalidade do Imposto de Importação e a Necessidade de uma Gestão Aduaneira Estratégica.
O Imposto de Importação (II) possui uma natureza jurídica peculiar no sistema tributário brasileiro: sua “personalidade tributária” é marcadamente parafiscal.
Isso significa que, embora seja um tributo com finalidade arrecadatória, sua principal função deveria ser regulatória, atuando como um instrumento de política econômica para equilibrar o comércio interno e externo.
No entanto, a gestão desse imposto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), cujo foco prioritário é a arrecadação, muitas vezes acaba distorcendo seu papel ideal.
Nesse contexto, questiona-se: seria mais eficiente que o II fosse administrado por uma Secretaria Especial de Aduanas, com objetivos claramente alinhados ao desenvolvimento industrial e tecnológico do país? Questão que, ao nosso ver, mereceria um debate amplo.
O que é um Ex Tarifário?
Um Ex Tarifário é um benefício concedido pelo governo que permite a redução ou isenção de tarifas alfandegárias sobre a importação de determinados bens.
Esse mecanismo é utilizado para atender a objetivos específicos, como:
- Fomentar setores estratégicos da economia (ex.: saúde, tecnologia, agricultura);
- Cumprir acordos internacionais ou tratados comerciais;
- Facilitar a entrada de bens essenciais que não são produzidos em quantidade suficiente no país.
Para usufruir desse benefício, é necessário cumprir requisitos específicos, como prazos, finalidade de uso e documentação adequada e, principalmente, aguardar a publicação, em veículo oficial, da Decisão Administrativa.
Essa publicação é uma verdadeira “CERTIDÃO DE NASCIMENTO” do Ex Tarifário. A partir dessa publicação temos todos os efeitos Jurídicos/Administrativos vinculantes à todas as autoridades Fiscais do País.
Portanto, a utilização extemporânea ocorre quando esses requisitos não são observados, especialmente em relação ao prazo inicial de utilização do benefício.
Confira também o artigo do advogado José Geraldo Reis, especialista em Direito Aduaneiro, sobre O Ex-Tarifário e as novas regras para 2025
Consequências na Esfera Aduaneira
A esfera aduaneira é a primeira a ser impactada pela utilização extemporânea de um Ex Tarifário. As principais consequências incluem:
Retenção de Mercadorias
Quando um Ex Tarifário é utilizado fora do prazo ou de forma irregular, as autoridades aduaneiras podem reter a mercadoria até que a situação seja regularizada. Isso gera atrasos na liberação dos bens, impactando toda a cadeia logística.
Cobrança de Tarifas Integrais
A perda do benefício implica no pagamento das tarifas alfandegárias integrais, o que pode representar um custo significativo para o importador. Em alguns casos, o valor das tarifas pode superar o valor da própria mercadoria.
Bloqueio de Futuras Operações
Empresas que cometem irregularidades no uso de Ex Tarifários podem ter suas operações futuras bloqueadas ou submetidas a um controle mais rigoroso pelas autoridades aduaneiras. Isso aumenta a burocracia e os custos operacionais.
Inclusão em Listas de Restrição
Em casos graves, o importador pode ser incluído em listas de restrição aduaneira, o que dificulta a realização de operações internacionais e prejudica a reputação da empresa.

Consequências na Esfera Fiscal
A esfera fiscal também é diretamente afetada pela utilização extemporânea de Ex Tarifários. As principais consequências incluem.
Autuações e Multas
As autoridades fiscais podem autuar o contribuinte por descumprimento das normas relacionadas ao Ex Tarifário. As multas podem variar de acordo com a gravidade da infração, mas costumam ser expressivas.
Revisão de Benefícios Fiscais
A utilização irregular de um Ex Tarifário pode levar à revisão de outros benefícios fiscais concedidos à empresa. Isso pode resultar na perda de incentivos importantes para o negócio.
Exigência de Regularização
Em muitos casos, o contribuinte é obrigado a regularizar sua situação fiscal, o que pode incluir o pagamento de tributos, juros e correção monetária. Esse processo pode ser demorado e oneroso.

Consequências na Esfera Tributária
A esfera tributária é, também, uma das mais impactadas pela utilização extemporânea de Ex Tarifários. As principais consequências incluem:
Cobrança de Tributos Atrasados
A perda do benefício implica no pagamento de tributos que foram inicialmente isentos ou reduzidos.
Isso inclui não apenas as tarifas alfandegárias, mas também impostos como o Imposto sobre Importação (II), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Juros e Correção Monetária
Além dos tributos em si, o contribuinte pode ser obrigado a pagar juros e correção monetária sobre os valores devidos. Esses encargos podem aumentar significativamente o valor total a ser pago.
Aumento da Carga Tributária
A perda do Ex Tarifário pode resultar em um aumento da carga tributária para a empresa, impactando sua competitividade no mercado internacional.
Consequências na Esfera Penal
Em casos mais graves, a utilização extemporânea de Ex Tarifários pode ter consequências na esfera penal. As principais incluem:
Investigação por Fraude
Se houver indícios de má-fé ou fraude na utilização do benefício, as autoridades podem abrir uma investigação criminal. Isso pode resultar em processos judiciais contra os responsáveis pela empresa.
Responsabilização de Dirigentes
Os dirigentes da empresa podem ser responsabilizados pessoalmente por irregularidades no uso de Ex Tarifários. Isso inclui a possibilidade de pagamento de multas e, em casos extremos, prisão.
Danos à Reputação
Além das consequências legais, a empresa pode sofrer danos à sua reputação no mercado, o que pode afetar suas relações comerciais e sua capacidade de atrair investimentos.
Como Evitar a Utilização Extemporânea de Ex Tarifários
Para evitar as consequências negativas da utilização extemporânea de Ex Tarifários, é fundamental adotar boas práticas, como:
- Conhecer as Normas: Entender os requisitos e prazos para a utilização do benefício;
- Manter a Documentação em Dia: Garantir que toda a documentação necessária esteja correta e atualizada;
- Consultar Especialistas: Buscar orientação de profissionais especializados em comércio exterior e direito tributário;
- Implementar Controles Internos: Estabelecer processos internos para monitorar o uso de benefícios fiscais e aduaneiros.
A Importância da Conformidade na Utilização de Ex Tarifários
A utilização extemporânea (antes da sua publicação) de Ex Tarifários pode gerar uma série de consequências negativas, especialmente nas esferas aduaneira, fiscal, tributária e penal.
Para evitar esses problemas, é essencial que as empresas adotem boas práticas e busquem orientação especializada.
A correta utilização dessas “ferramentas” não apenas evita sanções, mas também contribui para a competitividade e a sustentabilidade do negócio no mercado internacional.
